Arte para crianças em uma performance interativa

A performance Flou! propõe que os pequenos rabisquem e espalhem tintas em uma grande folha branca colocada no chão. Idealizada pelo artista basco Ieltxu Ortueta, a apresentação é uma experiência coletiva na qual as crianças são convidadas a andar sobre a folha e contribuir com a sua arte. O resultado é a criação de um grande desenho. No final, o performer oferece pedaços de pinturas feitas em outras apresentações para que todos brinquem enquanto ele produz novos recortes.

Flou! estreou em 2016, já passou por diversos espaços e agora será realizada dias 24 e 25 de junho no Sesc Vila Mariana. A atividade é gratuita e indicada para crianças de 4 a 10 anos, mas nada impede que os menores também participem e interajam.

Flou!, no Sesc Vila Mariana
Endereço: Rua Pelotas, 141 – Praça de Eventos
Telefone: (11) 5080-3000
Horários: dia 24/06 das 15h às 16h e dia 25/06 das 16h às 17h

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6 dicas para uma alimentação saudável

Criar hábitos alimentares saudáveis é uma tarefa que depende não apenas do que se oferece à criança como também dos costumes praticados pela família. “A alimentação deve ter um clima leve. Quanto maior a guerra em relação à comida, mais difícil será para todos. Armando uma batalha ou levando a situação com calma, a criança come a mesma quantidade. Eu arriscaria dizer que, em uma disputa, é comum a criança vencer e se alimentar ainda menos”, comenta a nutricionista Natália Vignoli, da Barah Nutrição.

Se no dia a dia o padrão é consumir em casa uma boa quantidade de frutas, vegetais, grãos integrais… com certeza esses hábitos serão replicados de maneira automática em outros ambientes, como na escola, em viagens ou em festas. Veja a seguir as dicas da nutricionista para que rotina alimentar do seu filho seja construída do melhor modo possível.

1. Seja o exemplo de uma boa alimentação

Não adianta querer que o seu filho faça refeições saudáveis se isso não é o que ele vê nos hábitos da família.

2. Evite brigas ou reprovações

Conduza a alimentação de forma natural. Incentive a criança a experimentar, explicando que, para provar, ela precisa colocar na boca, mastigar e realmente sentir o gosto, antes de dizer se gosta ou não de algo. Principalmente quando se trata de bebês, ofereça o alimento várias vezes, em diferentes situações e apresentações variadas.

O “não gostar” talvez não seja definitivo. Às vezes, há uma certa resistência a um novo sabor, que pode ser quebrada em algum momento. “Por fim, nada de pânico. É normal que a criança passe por fases em que ama um alimento e depois o recusa”, diz Natália.

3. Facilite a sua rotina

Compre legumes já descascados e cortados. Organize as compras semanais e congele alguns itens prontos e separados em porções pequenas, em quantidades que correspondam a uma refeição. Você pode usar, por exemplo, formas de gelo para esse congelamento. Depois que o alimento estiver congelado, transfira os cubos para um saco plástico próprio para essa finalidade. Assim, ocupará menos espaço. Essa prática evita desperdícios e garante uma maior diversidade para as refeições, já que você terá vários vegetais para alternar, sem precisar cozinhar todos os dias.

4. Varie os tipos de preparo

Caso a criança recuse frequentemente um alimento, procure combiná-lo a outro ela goste ou crie formas de apresentação que possam parecer mais lúdicas e atrativas.

5. Leve o filho à feira, ao mercado e cozinhe junto

Propor que ele participe de todo o processo pode tornar mais prazeroso o ato de comer.

6. Tente fazer sempre boas opções

Verifique a procedência dos alimentos, priorizando os orgânicos. Use gorduras de melhor qualidade, como manteiga ghee, azeite e óleo de coco. Procure não adicionar sal ou açúcar. Dê preferência a ervas frescas e especiarias (orégano, manjericão, alecrim, tomilho, noz moscada, páprica, curry, cominho, salsinha, coentro etc.).

“Evite os produtos industrializados e, na dúvida, aposte em alternativas simples para lanches: frutas com cereais como aveia ou quinoa, pastas veganas de abacate ou grão de bico, pasta de amendoim, ovos caipiras cozidos ou mexidos, palitinhos de cenoura e cookies caseiros. Hoje também existem empresas que comercializam snacks sem conservantes com ótimo perfil nutricional, vale conhecer”, orienta Natália.

A alimentação também exerce um papel fundamental na rotina das crianças. Entenda por que é importante estabelecer essa rotina desde cedo   

Como treinar a concentração já nos primeiros anos de vida

A concentração é um processo de conquista e tem um ponto de partida: a curiosidade. Quando a criança se sente atraída por um tema ou um material, ela naturalmente permanece atenta durante algum tempo ao que despertou o seu interesse.  A partir daí, de maneira gradual, alcançará a concentração. O papel da família nesse momento é respeitar o espaço e o tempo da criança e proporcionar um ambiente que favoreça o desenvolvimento dessa habilidade.

“Estímulos em excesso ou brinquedos demais no quarto, por exemplo, atrapalham e a criança pode ficar perdida em meio a tantos objetos”, alerta Sonia Maria Braga, diretora pedagógica da Meimei Escola Montessoriana, do Rio de Janeiro (RJ), e presidente da Organização Montessori do Brasil. O mais aconselhável é restringir a quantidade de brinquedos que a criança encontra à sua disposição, guardando alguns e fazendo um rodízio daqueles que ficam ao alcance dela. “Quando os pequenos têm muitas coisas disponíveis, é provável que não consigam se dedicar a cada objeto nem explorar todas as suas possibilidades”, pondera a educadora.

Algumas atividades simples e bastante cotidianas também podem ajudar. “Experimente propor à criança despejar um líquido com calma, segurando o copo ou uma jarra com cuidado, ou passar grãos de um pote para outro com uma pinça ou uma colher. São tarefas que têm uma conexão direta com a vida real e exigem movimentos cautelosos. Esse tipo de prática pode colaborar com a conquista da concentração”, orienta Sonia. De qualquer maneira, vale ter em mente que nunca se deve comparar uma criança à outra. Cada uma possui um tempo diferente de desenvolvimento e este precisa ser considerado.

O que pode interferir

Locais muito agitados, falta de brinquedos ou itens que a criança demonstre verdadeiro interesse e constantes interrupções podem afetar a construção do poder de concentração. “Muitas vezes as crianças ou os bebês estão entretidos com suas descobertas e um adulto corta aquilo de forma estabanada. Todo o processo mental que estava se consolidando fica comprometido e retomá-lo exige esforços extras. Respeite o que o seu filho faz. Se ele está se dedicando a algo e demonstra prazer, apenas observe. Além disso, ofereça a ele um ambiente tranquilo e harmonioso, no qual se sinta calmo, apoiado e amparado”, explica Sonia.

A exposição à tecnologia também deve ser dosada. “A tecnologia é uma excelente ferramenta, e não podemos impedir que as crianças tenham acesso a ela, desde que sempre com supervisão. E é fundamental dosar esse uso”, diz Sonia. “Há crianças que passam horas em frente à televisão, a um computador, com um celular ou um tablet nas mãos… elas recebem tudo pronto, não promovem as brincadeiras por meio de ações. Isso reflete negativamente na capacidade de atenção e no desenvolvimento cognitivo.”

A concentração trabalhada desde bebê

Antes de qualquer coisa, observe sempre o seu bebê. “Se você apresenta a ele um móbile, que por si já tem algumas imagens, formas e cores, não precisa balançar esse móbile nem oferecer outros brinquedos para que ele segure ao mesmo tempo. Permita que ele se entretenha olhando as figuras e apenas aguarde. O bebê demonstrará quando tiver perdido o interesse naquilo ou caso necessite de alguma interação. Se ele passar a brincar com o próprio pé, deixe-o à vontade. Não é necessário intervir ou começar a dizer os nomes das partes do corpo, por exemplo”, recomenda a educadora. Quando ele já consegue ficar sentado sozinho, dê três ou quatro brinquedos de formas e texturas diferentes para que manipule, leve à boca, aperte… “A criança é capaz de permanecer um determinado período explorando os objetos ou pode ainda colocá-los de lado para se ater ao ambiente. Ela estará estabelecendo o tempo dela e quanto menos interferência do adulto, melhor.”

É importante saber esperar. “Muitas vezes os adultos impõem o seu ritmo à criança, o que causa dificuldades no seu processo de desenvolvimento. A orientação é observar primeiro para depois atuar. Mesmo quando a criança está brincando e busca o adulto com o seu olhar, é preciso interpretar esse olhar. Talvez ela esteja solicitando ajuda ou pode apenas querer aprovação e, para isso, basta um sinal à distância. Observe com atenção e sensibilidade”, conclui Sonia.

Entenda o que são os períodos sensíveis de desenvolvimento e como você pode contribuir para cada um deles

As características do teatro feito especialmente para bebês

Apresentar ao bebê experiências ligadas à arte é sempre enriquecedor. Além disso, transitar por diversas áreas artísticas desde cedo levará os pequenos a se tornarem adultos mais sensíveis e abertos às diferentes formas de expressões culturais. E há espetáculos de teatro planejados especificamente para os bebês, que estimulam de forma pensada e segura suas capacidades sensoriais e intelectuais.

A construção da peça de teatro precisa ser estruturada para o olhar dos pequenos

“É preciso acessar um vocabulário teatral extenso, não superestimando a técnica nem a deixando de lado; considerar os conceitos psicopedagógicos sem perder a graciosidade e relevância cultural da arte. Entre tantos outros aspectos, ainda conseguir cair nas graças desse público pelo elemento mais simples de todos e ao mesmo tempo não explicado por nenhuma técnica ou teoria: a energia”. Essas são as premissas defendidas pelo diretor Alan de Oliveira e pela atriz portuguesa Liliana Rosa, criadores do Teatro para Bebês, primeira companhia teatral fundada no Brasil especializada nessa faixa etária.

“Os bebês são 100% sinceros. Eles não se esforçam para aceitar alguém. Com eles é ou não é. Um movimento errado pode provocar um efeito cascata de choros e então o espetáculo se perde”, diz Liliana.

Existem vários fatores que influenciam no momento de montar uma peça para bebês. O tempo de duração do espetáculo é um deles e deve ser mais curto que o padrão da maioria das peças infantis. As apresentações costumam ter entre 30 e 40 minutos e normalmente são seguidas por uma exploração sensorial dos bebês e suas famílias. “Esse é o tempo máximo de atenção de uma criança na primeira infância. Os espetáculos são criados com gatilhos peculiares para reter a concentração e têm como pano fundo a improvisação”, explica a atriz.

Tudo é pensado para eles

“O texto é milimetricamente pensado, elaborado e roteirizado de forma específica. Nada linear”, conta Oliveira. A iluminação, as músicas e a sonorização também são especialmente planejadas.

Para que a comunicação entre o palco e a plateia se concretize, a interação é muito importante. “Durante o espetáculo, a curiosidade e a participação dos menores são estimuladas por meio da voz e da palavra, do movimento e do gesto, da iluminação baseada na cromoterapia, dos sons e das melodias arrancadas dos objetos de cena, em uma linguagem elaborada dentro de rigorosos estudos psicológicos. A musicalidade e os ritmos presentes no teatro para bebês convidam à participação e transformam os pequenos espectadores em figuras ativas da encenação”, conclui o diretor.

A arte de contar histórias também é algo importante para estar sempre na rotina dos bebês. Veja como alimentar esse costume e a forma como ele ajuda no desenvolvimento das crianças

Exposição interativa sobre Frida Kahlo para o público infantil

Com várias instalações que podem ser exploradas pelas crianças, a mostra “Frida e eu” propõe entrar em contato com o universo de Frida Kahlo e conhecer principalmente aspectos da vida pessoal da artista mexicana. Não fazem parte da exposição obras produzidas pela artista. O objetivo é que os visitantes tenham experiências lúdicas e interativas que permitam entender melhor a história e a obra de Frida.

Em cartaz na Unibes Cultural, a exposição terminaria dia 30 de junho, mas foi prorrogada até 29 de julho. Conta com seis eixos temáticos: Frida e o autorretrato, Frida e a família, Frida e a dor, Frida e Diego, Frida e a natureza e Frida e Paris. Há, por exemplo, um espaço em que é possível montar um esqueleto de espuma com marcações dos principais pontos de dor no corpo da pintora, que sofreu um grave acidente aos 18 anos. Como o acidente deixou Frida presa à cama durante um longo tempo e foi ali que ela começou a pintar, as crianças também poderão se deitar sobre duas camas, cada uma equipada com cavalete, lousa, caneta esferográfica e espelho no teto. Assim, conseguirão desenhar tendo uma perspectiva semelhante à vivenciada pela artista. Em outros espaços, o público é convidado a tentar formar a árvore genealógica de Frida ou ainda identificar animais por meio dos seus sons, entre outras atividades.

Como parte da programação, durante todos os sábados até o final da mostra, das 15h às 16h, serão promovidas oficinas especiais para as crianças.

Mostra “Frida e eu”, na Unibes Cultural
Endereço: Rua Oscar Freire, 2500
Telefone: (11) 3065-4333
Horário: de segunda-feira a sábado, das 10h30 às 19h30
Ingressos: R$ 24,00 de terça a sexta-feira, R$ 30,00 aos sábados e gratuito às segundas-feiras

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5 passos para ajudar o seu bebê a ter um sono tranquilo

É importante criar desde cedo uma rotina de sono para ajudar a orientar o seu bebê sobre o horário de dormir. “Os bebês não nascem com os ritmos circadianos [atividades do ciclo biológico] totalmente desenvolvidos e só a partir de nove ou doze semanas começam a produzir mais o hormônio do sono, a melatonina. Mas entre três e quatro mês já é indicado manter uma rotina. Isso não quer dizer realizar processos de educar o sono. Ter uma rotina significa observar quando o bebê sente sono, tentar notar os sinais que demonstra, cuidar bem do ambiente em que ele dorme e passar a estipular um ritual antes de dormir. Isso pode ser simples, como um banho, uma troca de roupa ou a leitura de uma história”, orienta Marcia Horbacio, consultora do sono há 12 anos, que atualmente mora no Canadá e atende também à distância, elaborando planos personalizados para cada família. Confira cinco dicas que você pode adotar para garantir um sono de qualidade para o seu filho e conquistar noites mais tranquilas.

1. Evite colocar o bebê sempre adormecido no berço

Alguns pais tentam colocar o bebê sonolento e acordado, porém, quando não conseguem, desistem e acham que ‘para o filho deles isso não funcionará’. No entanto, deveriam persistir e seguir tentando sempre que o bebê estiver calmo. Continue insistindo até que um dia dará certo.

2. Mantenha consistência no método escolhido

Um erro comum é experimentar diversas técnicas diferentes. Ainda que o bebê mude de comportamento, sustente o mesmo ritual de resposta. A chave para corrigir qualquer mudança de comportamento é a consistência.

3. Tenha em mente que não há receita perfeita para todos

“Para determinar o que fazer é preciso avaliar como está a duração de sono, as janelas de tempo acordado, os rituais realizados, as rotinas e o ambiente de sono e pré-sono”, diz Marcia. “Se tudo está certo e o pediatra se considera satisfeito com a saúde do bebê, incluindo a sua alimentação, o seu peso etc., poderemos propor um método para educar o sono.” A medida que o tempo passa, a criança se acostuma a dormir de uma determinada forma que ela aprendeu. Isso talvez possa dificultar um pouco mais o processo de educar o sono, porém não é regra.

4. Estabeleça horários regulares para o sono, não rígidos

“Analise sempre o intervalo de tempo que o bebê passa acordado. Não adianta colocar a criança para dormir todas as noites exatamente no mesmo horário inclusive em um dia em que ela não fez boas sonecas ou pulou a última soneca do dia. O horário de dormir deve ser ajustado para mais tarde quando a criança dormiu por mais tempo em sua última soneca ou mais cedo quando estiver muito cansada – e nem sempre ela demonstra isso, os pais têm de ficar atentos às janelas de sono”, recomenda Marcia.

5. Cuide bem do ambiente em que a criança dorme durante a noite

O ideal é que seja escuro – “que não se possa enxergar a mão em frente ao rosto”, indica Marcia – e a temperatura precisa ser fresca, já que o calor pode acordar a criança. O melhor é que tenha poucos brinquedos ou detalhes na decoração muito coloridos. E aposte em um colchão firme e, de preferência, opte por um lençol de algodão puro, bem apertado ao colchão. “Caso os pais gostem do recurso, o ruído branco pode ser de grande ajuda para bloquear barulhos externos”, aconselha a consultora.

Quer montar um quarto baseado no método montessoriano? Veja como

Teatro dentro de um ônibus? Sim! E para todas as idades

O projeto BuZum propõe levar o teatro onde as crianças estiverem. E assim a companhia itinerante apresenta seus espetáculos dentro de um ônibus adaptado. Atualmente, ao longo de todos os domingos até o final de março, o ônibus estará estacionado em frente ao MIS-SP (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) com a peça Mamulengo. Um bom motivo para levar os pequenos ao teatro e deixá-los ainda mais entretidos com o ambiente fora do comum para a encenação.

Mamulengo conta a história de dois amigos que se envolvem em uma aventura em pleno carnaval pernambucano. João cai em um poço e sua amiga Joana precisa salvá-lo. Para isso, o enredo envolve vários personagens e manifestações tradicionais da cultura popular do Nordeste, como o caboclinho, o maracatu e o frevo. O espetáculo usa mais de 40 bonecos mamulengos, fantoche típico dessa região do Brasil, encontrado especialmente em Pernambuco.

As apresentações têm entrada gratuita, basta retirar a senha no local com 40 minutos de antecedência. O ônibus possui capacidade para 40 pessoas por sessão. Para saber mais sobre o projeto e acompanhar informações sobre as próximas temporadas, acesse o site: www.buzum.com.br

BuZum, no MIS-SP
Endereço: Av. Europa, 158
Telefone: (11) 2117-4777
Dias: 5, 12, 19 e 26 de março
Horários: 10h30, 11h30, 12h, 14h, 14h30, 15h30 e 16h30

Já participou de uma apresentação de teatro feita especialmente para bebês? Saiba como elas são

Os benefícios da música para bebês e crianças

O fortalecimento do vínculo afetivo é primeiro dos muitos efeitos positivos que a música proporciona para os bebês. “Pesquisas indicam que na vida intrauterina os bebês já têm percepções auditivas. Não exatamente identificando melodias, mas, sim, vibrações e noções dos sons, tanto internos, quando a mãe fala ou canta, por exemplo, quanto de ruídos externos”, diz Roberto Schkolnick, professor de musicalização de educação infantil e ensino fundamental e coordenador do projeto Cantando pelo Mundo – cantigas e brincadeiras, vinculado ao PEA (Programa das Escolas Associadas) da Unesco, organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura.

Música desde cedo

Os recém-nascidos têm a audição mais desenvolvida do que a visão. Isso colabora para que a fala dos pais, a intenção musical na forma de dizer as palavras e determinadas entonações de voz ajudem a tranquilizá-los em alguns momentos. “O reconhecimento de timbres, a voz dos pais, o barulho de diferentes objetos etc. vão ampliando o reconhecimento de ruídos que o bebê é capaz de notar e isso faz com que ele consiga ir percebendo melhor o mundo à sua volta por meio dos sons”, explica Schkolnick.

O ato de cantar é muito importante na construção dos vínculos afetivos de pais e cuidadores com o bebê e deixa marcas de aquisições musicais e culturais. Mais para a frente, contribuirá inclusive para o repertório e a variedade de vocabulário da criança. “Brincadeiras que utilizam música e acompanham o ritmo da melodia, como cantarolar ‘serra, serra, serrador…’ e fazer movimentos que sigam a canção, proporcionam ainda benefícios para a coordenação e desenvolvimento motor do bebê”, relata o especialista.

Ele sugere também experimentar criar em casa alguns objetos sonoros para estimular a curiosidade e s sentidos do bebê. “Construa chocalhos, colocando em um pote, por exemplo, grãos de arroz, em outro, feijões ou areia. Brinque com o seu filho e deixe que ele sinta as diferentes vibrações, ouça os sons produzidos… Essa exploração é uma brincadeira gostosa de fazer e insere a criança na ação. Ela passa para a prática e não apenas recebe e ouve os barulhos.”

Varie o repertório

Ao colocar músicas para que seu filho escute, não se preocupe em ficar restrito às canções do universo infantil, apresente a ele um repertório diversificado. Isso é um bom desafio até mesmo para as famílias que não têm o hábito de desvendar novos ritmos. “Principalmente nessa fase do início da vida, em especial a mãe e o bebê estão muito abertos para um aprendizado mútuo de mundo. Novas descobertas acontecem de forma constante e é uma ótima oportunidade de ouvir estilos musicais que não se estava acostumado até então”, observa Schkolnick.

Controle a ansiedade e observe as reações do bebê

Procure dosar os sons aos quais o bebê é exposto e não exagere na quantidade de estímulos simultâneos ou consecutivos. Cuidado particularmente com aparelhos tecnológicos e brinquedos sonoros que possuem muitos botões de sons. “E não crie uma expectativa excessiva. A criança pode não permanecer parada e prestando atenção. Mas isso não significa que não absorveu o que foi mostrado”, alerta o educador. “Observe seu filho e tente reconhecer as identificações dele. Os bebês e as crianças vão dando pistas do que preferem. Fique atento aos sinais.”

Ler e contar histórias para bebês e crianças também é muito importante. Quanto antes começar, melhor!

Quarto montessoriano: mais autonomia para os pequenos

Um ambiente clean, com objetos e acessórios colocados na altura do olhar das crianças e móveis que permitem ir e vir livremente com segurança. Essas são premissas de um ambiente guiado pelas propostas do método montessoriano. “O quarto é planejado orientado pelo ponto de vista da criança, para que tudo esteja ao seu alcance e ela possa descobrir as coisas sozinha, no seu tempo. É importante que a criança sinta que aquele ambiente foi preparado para ela”, explica Andrea Chapira Eshkenazy, arquiteta da Uêbaa Design.

Cama montessoriana no lugar do berço

O método pode ser adotado desde que os primeiros dias do bebê. Nesse caso, nada de berço. O recém-nascido dorme em uma cama sem pés ou em um colchão colocado diretamente no chão. Assim, quando começar a se mover e engatinhar, ele terá livre acesso ao local de dormir. “O objetivo é dar autonomia aos pequenos e o ideal é que a cama não tenha grades, já que o bebê pode se apoiar nelas para ficar em pé e acabar caindo. O mais indicado é adotar apenas rolos como proteção lateral”, orienta Andrea.

Reduza a quantidade de objetos

Como o intuito é não sobrecarregar as crianças com excesso de estímulos, até mesmo a quantidade de brinquedos deve ser dosada. Recomenda-se deixar cerca de seis brinquedos ou jogos em móveis baixos, à disposição da criança, e guardar os outros. “De tempos em tempos, faça um ‘rodízio de brinquedos’, revezando os que ficarão expostos”, sugere a arquiteta.

Tudo ao alcance da criança – sempre com segurança

Ao aderir a esse conceito, opte por móveis e cestos que facilitem o acesso das crianças aos objetos que preenchem o quarto. Boas alternativas são as prateleiras baixas, como as comumente usadas para acomodar livros, e as barras fixadas nas paredes para servir como apoio e facilitar os primeiros passos do bebê.

Outro item bem-vindo nessa proposta é um espelho apoiado no chão. “Com ele, a criança pode começar a se observar, se conhecer. O melhor é que seja um espelho de acrílico para não oferecer riscos. Se o seu bebê ainda não começou a andar, posicione o espelho na horizontal, para que ele consiga se observar melhor. Depois, mude-o para a posição vertical para que a criança se enxergue por inteiro”, aconselha Andrea.

Por fim – e isso vale para qualquer estilo de quarto – seja cuidadoso com a escolha dos móveis. Prefira peças com cantos arredondados e certifique-se de que não são instáveis e possam tomar. Para garantir mais conforto para as brincadeiras no chão, invista em um tapete ou placas de EVA. Mas não se esqueça de verificar os componentes e garantir que não há substâncias tóxicas na composição. Afinal, o seu bebê irá engatinhar, se apoiar para brincar e, depois, muito provavelmente pode levar as mãos à boca.

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Por que é recomendado ler para as crianças

A audição é um dos principais sentidos para o recém-nascido. A melodia da fala, principalmente da voz da mãe, tem o poder de reter a atenção e até mesmo acalmar e confortar os bebês. Esse é um dos motivos que leva começar a ler para o seu filho desde cedo ser tão benéfico.

O hábito ajuda a fortalecer o vínculo afetivo e contribui para que os pequenos aprendam como se dá a comunicação, a narrativa e as relações de causa e consequência, por exemplo. “O contato dos bebês com o mundo se faz com a mediação de um adulto. E as histórias são uma forma de construir essa mediação”, diz Ana Luísa Lacombe, atriz e escritora, que se dedica à arte de contar histórias há 15 anos e mescla o trabalho de narração com suas experiências no teatro.

Ela ressalta que livros ilustrados são muito estimulantes. “As figuras podem ser exploradas e os adultos podem ‘ler’​ as imagens. Ao contar uma história, tente também gestos e brincadeiras com as mãos (dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos…), incentivando a criança a entrar em contato com o seu corpo”, recomenda. Outro recurso é o uso de bonecos ou brinquedos, desde que quem esteja fazendo isso se sinta bem e consiga gerenciar essa manipulação com a narrativa. “Muitas vezes só a palavra e as brincadeiras com sons que conseguimos fazer com a boca e o corpo são suficientes. O bebê adora brincar com os sons da boca. Provocá-lo a explorar isso pode ser bem legal”, orienta Ana Luísa.

Ainda que seu bebê não permaneça quieto, é interessante investir nas histórias

Os bebês aprendem muito por meio do próprio corpo. Quando eles começam a engatinhar e andar realmente não é possível mantê-los imóveis, prestando atenção em uma história. “Mas o fato de estarem em movimento não significa que não estejam se relacionando com a narrativa.​ Temos que deixá-los explorar. É o trabalho deles nessa fase. São cientistas realizando experiências e conhecendo o mundo que os cerca. É importante entender isso e fazer com que a história esteja integrada a esse movimento”, avalia a atriz e escritora.

Aposte em contos curtos e não se esqueça de que o ritmo de contar uma história deve ser sempre mais lento do que a fala coloquial. É necessário respeitar o processo da construção mental daquilo que é dito – e isso vale para bebês, crianças ou adultos. “A cada etapa a criança se apropria de coisas diferentes. A entrada no mundo simbólico ocorre por volta dos três ou quatro anos. Nesse momento, o faz de conta ganha sentido e, por isso, é a fase em que os contos de fadas e o mundo maravilhoso passam a fervilhar no imaginário.​ A partir dessa idade, elas conseguem dedicar um tempo maior de atenção e experimentam dramatizar o que ouvem ou imaginam”, explica Ana Luísa.

Crie uma rotina

Estabelecer uma rotina é bom para as crianças, já que colabora para que se sintam seguras e organizem melhor suas demandas. Então, uma boa pedida é incluir o costume de ler antes de dormir. São instantes de total atenção e que representam um período que se dará uma separação entre a criança e os pais. Essa separação pode ser conduzida por meio de uma história.

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