Ajude seu filho a compreender melhor as emoções dele

Saber lidar com as próprias emoções pode ser um desafio para muitos adultos. Mas talvez isso se tornasse mais fácil e natural caso fosse algo exercitado desde criança. “Trabalhar as competências socioemocionais em crianças tem vários benefícios a longo prazo, como a melhora nos relacionamentos e na saúde”, diz Tonia Casarin, professora de pós-graduação do Instituto Singularidades, consultora em Educação e autora do livro “Tenho Monstros na Barriga”, usado como uma ferramenta para as crianças aprenderem a identificar as próprias emoções.

“Desde que o bebê nasce, é importante que os pais tenham consciência do clima da casa, que influencia bastante os pequenos. Promover o acolhimento dos sentimentos e nomeá-los é fundamental para a educação emocional”, explica Tonia. “Nos primeiros anos, enquanto o bebê ainda não fala, os pais podem inclusive nomear as emoções para eles, como: ‘Eu sei que está frustrado, filho’ ou ‘Você morde porque está com raiva e ainda não consegue dizer isso. Precisa expressar a sua raiva de outra maneira.’”

A consultora lembra ainda que, ao nascer, o bebê não possui o cérebro totalmente formado. E a parte responsável por regular as emoções se desenvolve até mais ou menos os 25 anos. Ou seja, é comum que as crianças não consigam controlar as suas emoções simplesmente por não estarem biologicamente prontas para isso.

Confira algumas dicas de Tonia para ajudar o seu filho nesse processo de conhecer melhor o que ele sente

1. Seja expressivo

Você é o primeiro professor do seu bebê sobre sentimentos. Mesmo antes que ele compreenda plenamente as palavras, está aprendendo sobre o mundo por meio dos seus pais. Olhares expressivos ou cautelosos e o tom de voz poderão orientar, advertir ou consolá-lo, dependendo da situação.

2. Saiba que o bebê pode “ler” o seu rosto

Ele aprende sobre emoções com base nas expressões no seu rosto. Conforme o bebê cresce, ele desenvolve a capacidade de ler as suas emoções. Na verdade, mais do que isso, ele se guia pelas suas expressões emocionais.

3. Lembre-se de que o bebê aprende ouvindo o tom de sua voz

Mesmo que ainda não compreenda as palavras, ele entende o sentimento comunicado por meio do tom de voz. Já percebe que tons diferentes aplicados nas frases comunicam mensagens diferentes.

4. Tenha em mente que o bebê toma decisões com base nas suas expressões, no tom da sua voz e nas palavras que você usa

Com as suas mensagens de incentivo ou precaução, o seu bebê está aprendendo a navegar neste mundo. Esse processo de aprendizagem é chamado pelos pesquisadores na área de “referência social”. Ainda que ele não entenda todas as suas palavras, pode olhar para a expressão em seu rosto para decidir o que fazer ou não.

5. Ajude o seu bebê a aprender a ser expressivo

Seja entusiasta! Fale com o seu filho de uma forma positiva. Não tenha vergonha de dizer de forma categórica “role a bola para mim!” ou falar efusivamente “cuidado, a água está muito quente!”.

6. Combine a expressão facial com as suas emoções

Demonstre os sentimentos de modo claro, para que o seu rosto, as palavras e o seu tom de voz comuniquem o que você quer dizer. O bebê vai entender melhor quando a sua expressão facial, o tom de voz e as ações durante a mensagem expressarem o que você sente e forem coerentes. A ironia ainda não é assimilada pela criança nessa faixa etária.

7. Crie um espaço seguro para que a criança se expresse

Uma criança de dois anos, por exemplo, pode mostrar um forte senso individual e responder diversos “nãos” aos pedidos de um adulto, simplesmente para se afirmar. Auxilie a criança a reconhecer os seus sentimentos e nomeá-los. Essa ação vale não apenas para as emoções dela, mas também para entender como os outros podem se sentir e já começar a desenvolver empatia.

Conheça os principais conceitos da chamada disciplina positiva

Como treinar a concentração já nos primeiros anos de vida

A concentração é um processo de conquista e tem um ponto de partida: a curiosidade. Quando a criança se sente atraída por um tema ou um material, ela naturalmente permanece atenta durante algum tempo ao que despertou o seu interesse.  A partir daí, de maneira gradual, alcançará a concentração. O papel da família nesse momento é respeitar o espaço e o tempo da criança e proporcionar um ambiente que favoreça o desenvolvimento dessa habilidade.

“Estímulos em excesso ou brinquedos demais no quarto, por exemplo, atrapalham e a criança pode ficar perdida em meio a tantos objetos”, alerta Sonia Maria Braga, diretora pedagógica da Meimei Escola Montessoriana, do Rio de Janeiro (RJ), e presidente da Organização Montessori do Brasil. O mais aconselhável é restringir a quantidade de brinquedos que a criança encontra à sua disposição, guardando alguns e fazendo um rodízio daqueles que ficam ao alcance dela. “Quando os pequenos têm muitas coisas disponíveis, é provável que não consigam se dedicar a cada objeto nem explorar todas as suas possibilidades”, pondera a educadora.

Algumas atividades simples e bastante cotidianas também podem ajudar. “Experimente propor à criança despejar um líquido com calma, segurando o copo ou uma jarra com cuidado, ou passar grãos de um pote para outro com uma pinça ou uma colher. São tarefas que têm uma conexão direta com a vida real e exigem movimentos cautelosos. Esse tipo de prática pode colaborar com a conquista da concentração”, orienta Sonia. De qualquer maneira, vale ter em mente que nunca se deve comparar uma criança à outra. Cada uma possui um tempo diferente de desenvolvimento e este precisa ser considerado.

O que pode interferir

Locais muito agitados, falta de brinquedos ou itens que a criança demonstre verdadeiro interesse e constantes interrupções podem afetar a construção do poder de concentração. “Muitas vezes as crianças ou os bebês estão entretidos com suas descobertas e um adulto corta aquilo de forma estabanada. Todo o processo mental que estava se consolidando fica comprometido e retomá-lo exige esforços extras. Respeite o que o seu filho faz. Se ele está se dedicando a algo e demonstra prazer, apenas observe. Além disso, ofereça a ele um ambiente tranquilo e harmonioso, no qual se sinta calmo, apoiado e amparado”, explica Sonia.

A exposição à tecnologia também deve ser dosada. “A tecnologia é uma excelente ferramenta, e não podemos impedir que as crianças tenham acesso a ela, desde que sempre com supervisão. E é fundamental dosar esse uso”, diz Sonia. “Há crianças que passam horas em frente à televisão, a um computador, com um celular ou um tablet nas mãos… elas recebem tudo pronto, não promovem as brincadeiras por meio de ações. Isso reflete negativamente na capacidade de atenção e no desenvolvimento cognitivo.”

A concentração trabalhada desde bebê

Antes de qualquer coisa, observe sempre o seu bebê. “Se você apresenta a ele um móbile, que por si já tem algumas imagens, formas e cores, não precisa balançar esse móbile nem oferecer outros brinquedos para que ele segure ao mesmo tempo. Permita que ele se entretenha olhando as figuras e apenas aguarde. O bebê demonstrará quando tiver perdido o interesse naquilo ou caso necessite de alguma interação. Se ele passar a brincar com o próprio pé, deixe-o à vontade. Não é necessário intervir ou começar a dizer os nomes das partes do corpo, por exemplo”, recomenda a educadora. Quando ele já consegue ficar sentado sozinho, dê três ou quatro brinquedos de formas e texturas diferentes para que manipule, leve à boca, aperte… “A criança é capaz de permanecer um determinado período explorando os objetos ou pode ainda colocá-los de lado para se ater ao ambiente. Ela estará estabelecendo o tempo dela e quanto menos interferência do adulto, melhor.”

É importante saber esperar. “Muitas vezes os adultos impõem o seu ritmo à criança, o que causa dificuldades no seu processo de desenvolvimento. A orientação é observar primeiro para depois atuar. Mesmo quando a criança está brincando e busca o adulto com o seu olhar, é preciso interpretar esse olhar. Talvez ela esteja solicitando ajuda ou pode apenas querer aprovação e, para isso, basta um sinal à distância. Observe com atenção e sensibilidade”, conclui Sonia.

Entenda o que são os períodos sensíveis de desenvolvimento e como você pode contribuir para cada um deles

A importância do brincar – e como respeitar o espaço do seu filho

Muitas das descobertas relacionadas aos bebês são bastante recentes. Com isso, pais, cuidadores e profissionais da educação ainda estão em um processo de descobrir qual o ponto certo de se colocar na mediação das atividades realizadas com eles, sem serem omissos nem intrusivos. E os limites são sempre delicados. É comum agir de forma extremamente incisiva e acabar atropelando as necessidades das crianças.

“O indicado é assumir uma posição atenta e reativa na medida em que os bebês vão mostrando as possibilidades das habilidades que têm naquele momento”, diz Tânia Ramos Fortuna, professora de Psicologia da Educação e coordenadora geral do programa de extensão universitária “Quem quer brincar?”, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Tânia lembra ainda do conceito criado pelo psiquiatra inglês Donald Winnicott sobre a “mãe suficientemente boa”, que seria melhor do que a considerada “mãe perfeita”. “A ‘mãe perfeita’ acaba cometendo atropelos. Já a ‘mãe suficientemente boa’ cria para o filho a ilusão de que existe um mundo que corresponde às suas necessidades e, aos poucos, vai desiludindo esse bebê, colocando-o em contato com a realidade propriamente dita. Ela não realiza imediatamente tudo o que aquele bebê exige, mas, sim, dá espaço para que ele seja capaz de desejar e lidar com algumas frustrações. Vale ressaltar que, no caso, a ‘mãe’ representa a figura que cuida, não necessariamente a mãe da criança”, explica.

Ainda de acordo com o psiquiatra inglês, essas experiências de frustrações serão decisivas para toda a vida emocional posterior. Contribuirão para desenvolver a tolerância às decepções que surgirem e também ajudarão a estimular a capacidade desses bebês de se tornarem adultos com constante vontade de aprender, querer mais e ir à luta.

A evolução das brincadeiras do bebê

Ninguém nasce sabendo brincar, essa é uma habilidade assimilada aos poucos. “Até mais ou menos os oito meses, os bebês fazem apenas atividades pré-lúdicas ou exploratórias, como bater, sacudir, levar algo à boca… Mas ainda não podemos chamar de brincadeiras no sentido pleno, com simbolismos ou noção de repetição intencionalmente mantida”, conta a pedagoga.

Ela esclarece que há três tipos básicos de brincar. Existe a brincadeira de exercício, que corresponde a ações como bater, lançar, levar à boca etc. que já envolvam percepção, movimento, repetição e manutenção das atividades de forma intencional. Assim, o bebê começa a se divertir ao colocar um objeto na boca e afastá-lo ou se esconder atrás de algo e tornar a aparecer.

“Esse tipo de brincadeira predomina até cerca de dois anos e diminui de importância gradualmente. Em torno de um ano e meio ou dois anos, o bebê já é capaz de realizar brincadeiras de faz de conta ou jogos simbólicos, nos quais finge que vai dormir, simula dar comida a bonecos, calça os sapatos dos pais… Essas práticas de faz de conta têm seu ápice por volta dos quatro anos. Depois, passam a dar lugar às chamadas brincadeiras de regras. A partir de cinco ou seis anos, as crianças adquirem uma percepção de regra como algo que elas podem sistematizar e isso permite jogos em grupos, jogos de tabuleiro, entre outros”, conta. “Essas faixas etárias são só referências, variam muito de acordo com as culturas e as épocas. E uma fase coexiste com as outras, o que ocorre é uma preponderância de um tipo de brincadeira e identificamos que acontece nessa sequência.”

Assim como as brincadeiras se alteram ao longo da infância, elas não desaparecem na idade adulta. “Os jogos vão mudando de tamanho e o modo de brincar também. Transforma-se na nossa relação com as experiências culturais, como a literatura e a arte, por exemplo. A vontade de aprender, a curiosidade, o humor e a atitude criativa perante a vida vêm da nossa capacidade de brincar”, revela Tânia.

A importância da diversidade

Nessa fase de intensas descobertas que é a primeira infância, é fundamental oferecer diferentes materiais que possam ser explorados, incluindo os mais rústicos e naturais. Ao se limitar a brinquedos feitos com somente um tipo de material, impõe-se um padrão restrito à criança, que vai simplificando e reduzindo a sua capacidade de percepção. A riqueza e diversidade de texturas, formatos e sons promovem o alargamento do campo estético e valiosas experiências de sensações, o que abastece o sistema nervoso do bebê com informações importantes, colaborando para o seu desenvolvimento neurológico e neuropsicológico.

Outro ponto relevante é garantir a qualidade de interação com esses objetos. Dê tempo para que a criança explore as suas impressões ao pegar os brinquedos, pisar sobre a grama, o tapete ou um chão liso e frio. E preste atenção às suas reações enquanto promove essas experiências ao seu filho. Ter uma postura de que muitas coisas são perigosas, sujas e não valem ser tocadas pode acabar refletindo em experiências de privação que vão modelar a curiosidade de mundo dele.

A criança observa os adultos para saber como agir e reproduz o que vê. Ela se desespera ou se acalma quando acontece algo de acordo como age o pai, a mãe ou o cuidador. “Quando se estabelece uma relação de intimidade e de sintonia é para o bem e para o mal. Isso mostra a grande responsabilidade em respeito às crianças, pois elas são muito vulneráveis às nossas atitudes”, alerta Tânia.

Cuidado com os excessos

Em geral, os ambientes em que se vive já são muito estimulantes. A vida urbana é repleta de informações, barulhenta e, dentro de casa, convive-se com a TV, o aparelho de som, os brinquedos sonoros e outros equipamentos. Até mesmo o quarto do bebê pode apresentar excessos na decoração e ser repleto de bichos de pelúcia, enfeites sobre o berço ou com bonecos e almofadas dentro do próprio berço. Às vezes, tudo para ele está tomado por imagens, sem nenhuma parede branca para a qual possa olhar e simplesmente imaginar. “O bebê fica sobrecarregado com elementos com os quais tem dificuldade de interagir e é comum se recolher demais ou ficar totalmente indiferente. Ele precisa de um tempo para se adaptar à quantidade de estímulos e necessita de uma dosagem deles compatível com a sua capacidade de processá-los, interagir e entender do que se trata”, observa Tânia.

O bebê não precisa se manter risonho e feliz o tempo todo, sem períodos de silêncio e introspecção. É um erro oferecer um brinquedo seguido de outro, sem possibilitar um tempo maior para que ele consiga conhecer o que está em suas mãos. Tânia adverte: “Ao fazer isso, a mensagem transmitida é que ele não deve persistir, se concentrar e que nenhuma situação ou objeto merece sua atenção por um longo tempo. O resultado costuma ser uma pessoa sem foco, distraída e hiperativa, com uma conduta impaciente e pouco perseverante”.

Vale controlar um pouco essa oferta frenética de brinquedos diferentes, avaliar como dosar os estímulos propostos aos bebês ou às crianças e também, quando for brincar com eles, fazer isso de um modo verdadeiro. Coloque de lado a tendência de deixá-los vencer sempre as disputas, por exemplo. Isso só reforça o egocentrismo. Proponha brincadeiras em que a sorte incida e permita que os pequenos eventualmente ganhem.

“Por fim, não se deve perder a intuição. Hoje temos muita informação disponível na televisão, na internet ou em outros meios. Às vezes, isso apaga um pouco a capacidade de agir por nós mesmos e prestar atenção ao nosso bebê. Mas ‘receitas’ apresentam um uso limitado e funcionam em uma situação de exceção e controle das variáveis. A vida não é assim. Receba as orientações dadas como dicas e confie na sua capacidade de intuir”, conclui a pedagoga.

Entenda o que são os períodos sensíveis de desenvolvimento e saiba em quais faixas etárias a criança possui uma tendência inata a adquirir determinadas habilidades

Que tal dizer menos “não”, sem deixar de impor limites?

É muito provável que, quando o seu bebê começar a sentar, engatinhar e, depois, andar, você se dê conta de que diz uma quantidade enorme de “nãos” a ele durante o dia. A preocupação em evitar que se machuque, caia ou mexa em objetos perigosos, por exemplo, faz com que pais e cuidadores exagerem um pouco na proteção. No entanto, como tudo na vida, quando há exagero, o melhor é passar a prestar atenção antes que se torne prejudicial.

“Os bebês e as crianças estão descobrindo muitas coisas constantemente. Ouvir ‘não’ para tudo fará com que se sintam desestimulados a experimentar. E essa é a fase da infância em que estamos moldando aspectos emocionais para a vida toda”, diz o psicólogo e psicoterapeuta Daniel Carvalho. “Aqueles que foram podados demais ao longo dessa etapa apresentam uma tendência maior a se transformarem em adultos inseguros, que têm receio de arriscar ou tomar decisões. Ainda que não se tenha consciência da memória do que foi vivido, a emoção permanece registrada e ressurge quando você se expõe a certas situações”, completa.

Avalie melhor quando os limites são realmente necessários 

Buscar o equilíbrio é sempre o principal desafio. É impossível evitar alguns “nãos”, no entanto há muitos outros que podem ser substituídos oferecendo ao bebê ou à criança alternativas viáveis do que é permitido fazer.

Em vez de apenas dizer para não pegar determinado objeto, assim que o pequeno tentar alcançar o que é proibido, procure mudar o foco para outra coisa. Tente oferecer um brinquedo ou propor uma atividade para realizarem juntos. “Às vezes a criança não aceita a troca e, claro, existem situações em que não haverá jeito, ela se sentirá frustrada por ser impedida de fazer algo. Nesse instante, é importante acolher e explicar que você entende que ela está chateada, mas não pode deixá-la se machucar. Evite os gritos e procure reagir com afeto”, orienta Carvalho.

Avalie antes, e com bastante critério, os casos em que não é possível ceder

Vale escolher bem as “batalhas” que serão travadas. Isso porque, especialmente durante os primeiros anos de vida, é fundamental testar e fazer experimentos para se desenvolver. Então, releve os casos de menor importância e concentre-se em restringir os limites daquilo que é essencial, que expõe ao perigo ou que realmente é necessário para a educação do seu filho.

É comum acontecerem birras ou comportamentos mais agressivos, afinal a criança ainda não sabe lidar com as emoções e busca descontar o que está sentindo. Nesses casos, pense também em opções seguras para que ela extravase a sua insatisfação. “Se o bebê ou a criança for arremessar um objeto, impeça, diga que aquilo pode quebrar e sugira bater em uma almofada ou um boneco do tipo ‘João bobo’. Isso o ajudará a canalizar melhor a emoção”, aconselha o psicólogo e psicoterapeuta.

Mostrar alternativas e fazer com que a criança participe das escolhas do que irá fazer fortalece nela o poder de tomar decisões e contribui para compreenda melhor os limites. Aos poucos, ela entenderá o que é permitido ou não.

Saiba como ajudar o seu filho a lidar melhor com as emoções dele e, assim, conseguir compreender determinadas reações e atitudes. Isso terá benefícios para toda a vida

Já ouviu falar em disciplina positiva? Entenda os principais conceitos do método

Conectar-se melhor com o seu filho e educar estimulando habilidades como autonomia e confiança. Esses são alguns dos princípios da chamada disciplina positiva, método baseado no trabalho de Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, que, no início do século 20, defendiam uma abordagem afetuosa e ao mesmo tempo firme no trato com as crianças.

Para a renomada terapeuta de família e educadora americana Jane Nelsen, mãe de sete filhos, os preceitos ajudam a educar crianças e jovens para que se tornem adultos responsáveis, respeitosos e bem capacitados em suas competências. Ela, que, em parceria com outros autores, escreveu uma série de livros sobre o tema, lista alguns critérios da disciplina positiva.

1. Conexão

É importante criar e fortalecer os vínculos entre pais e cuidadores com as crianças, para que elas tenham a sensação de pertencimento ao ambiente em que estão inseridas e sintam-se importantes.

2. Respeito

A relação deve ser, ao mesmo tempo, firme e gentil. É preciso respeitar a criança e encorajá-la em suas conquistas.

3. Visão de longo prazo

Nunca se esqueça de que a criança está pensando, sentindo e aprendendo para decidir sobre si mesma e seu mundo e sobre o que fazer para sobreviver ou progredir.

4. Habilidades sociais e de vida

A disciplina positiva prioriza o respeito, a preocupação com os outros, a resolução de problemas e a cooperação.

5. Descoberta das capacidades

As crianças devem ser convidadas a descobrir como são capazes de realizar as coisas. Para isso, é fundamental incentivar o uso construtivo do poder pessoal e da autonomia.

O foco é na proposta de soluções para os problemas em vez de punição. A atitude não deve ser permissiva, e o recomendado é sempre orientar e não aplicar castigos.

Consegue dosar os “nãos” que você diz para o seu filho, sem deixar de impor os limites necessários? Confira alguns caminhos sobre a melhor maneira de fazer isso