Os benefícios da música para bebês e crianças

O fortalecimento do vínculo afetivo é primeiro dos muitos efeitos positivos que a música proporciona para os bebês. “Pesquisas indicam que na vida intrauterina os bebês já têm percepções auditivas. Não exatamente identificando melodias, mas, sim, vibrações e noções dos sons, tanto internos, quando a mãe fala ou canta, por exemplo, quanto de ruídos externos”, diz Roberto Schkolnick, professor de musicalização de educação infantil e ensino fundamental e coordenador do projeto Cantando pelo Mundo – cantigas e brincadeiras, vinculado ao PEA (Programa das Escolas Associadas) da Unesco, organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura.

Música desde cedo

Os recém-nascidos têm a audição mais desenvolvida do que a visão. Isso colabora para que a fala dos pais, a intenção musical na forma de dizer as palavras e determinadas entonações de voz ajudem a tranquilizá-los em alguns momentos. “O reconhecimento de timbres, a voz dos pais, o barulho de diferentes objetos etc. vão ampliando o reconhecimento de ruídos que o bebê é capaz de notar e isso faz com que ele consiga ir percebendo melhor o mundo à sua volta por meio dos sons”, explica Schkolnick.

O ato de cantar é muito importante na construção dos vínculos afetivos de pais e cuidadores com o bebê e deixa marcas de aquisições musicais e culturais. Mais para a frente, contribuirá inclusive para o repertório e a variedade de vocabulário da criança. “Brincadeiras que utilizam música e acompanham o ritmo da melodia, como cantarolar ‘serra, serra, serrador…’ e fazer movimentos que sigam a canção, proporcionam ainda benefícios para a coordenação e desenvolvimento motor do bebê”, relata o especialista.

Ele sugere também experimentar criar em casa alguns objetos sonoros para estimular a curiosidade e s sentidos do bebê. “Construa chocalhos, colocando em um pote, por exemplo, grãos de arroz, em outro, feijões ou areia. Brinque com o seu filho e deixe que ele sinta as diferentes vibrações, ouça os sons produzidos… Essa exploração é uma brincadeira gostosa de fazer e insere a criança na ação. Ela passa para a prática e não apenas recebe e ouve os barulhos.”

Varie o repertório

Ao colocar músicas para que seu filho escute, não se preocupe em ficar restrito às canções do universo infantil, apresente a ele um repertório diversificado. Isso é um bom desafio até mesmo para as famílias que não têm o hábito de desvendar novos ritmos. “Principalmente nessa fase do início da vida, em especial a mãe e o bebê estão muito abertos para um aprendizado mútuo de mundo. Novas descobertas acontecem de forma constante e é uma ótima oportunidade de ouvir estilos musicais que não se estava acostumado até então”, observa Schkolnick.

Controle a ansiedade e observe as reações do bebê

Procure dosar os sons aos quais o bebê é exposto e não exagere na quantidade de estímulos simultâneos ou consecutivos. Cuidado particularmente com aparelhos tecnológicos e brinquedos sonoros que possuem muitos botões de sons. “E não crie uma expectativa excessiva. A criança pode não permanecer parada e prestando atenção. Mas isso não significa que não absorveu o que foi mostrado”, alerta o educador. “Observe seu filho e tente reconhecer as identificações dele. Os bebês e as crianças vão dando pistas do que preferem. Fique atento aos sinais.”

Ler e contar histórias para bebês e crianças também é muito importante. Quanto antes começar, melhor!

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