Quando deve ser a primeira visita ao oftalmologista?

O ideal é programar uma consulta com um oftalmologista pediátrico ainda durante o primeiro ano de vida do bebê. “Todos os pediatras devem fazer o chamado ‘teste do olhinho’ nos recém-nascidos. E essa avaliação precisa ser muito bem-feita para que os pais do bebê não fiquem com uma falsa impressão de que está tudo em ordem quando, na verdade, existe algum problema”, alerta Mauro Plut, especializado em oftalmologia pediátrica e estrabismo pela University of Connecticut School of Medicine, nos Estados Unidos, e que atua na área há mais de 40 anos.

Quanto antes for identificada qualquer alteração, maiores são as chances de bons resultados com os tratamentos. “Isso porque a criança não nasce enxergando completamente, ela está em formação. Não apenas os olhos não estão totalmente desenvolvidos como também as vias nervosas. A formação completa se dá por volta de nove ou dez anos de idade”, explica Plut. E ele reforça: “Quando existe algum distúrbio, quanto mais imaturo está o sistema visual da criança, mais profundo será o problema que ela terá. Ocorre muitas vezes de o bebê realizar suas atividades normalmente e os pais não perceberem que a visão de um dos olhos é fraca. Se essa criança for tratada apenas com sete ou oito anos de idade, a visão já se desenvolveu. Quando o trabalho de correção é feito no início da vida, os efeitos são muito mais eficientes”. Por esse motivo é tão importante a análise de um profissional logo cedo – e a indicação é buscar sempre um médico especialista no universo infantil, pois ele saberá conduzir melhor o atendimento.

O que o oftalmologista pode detectar no bebê

Na primeira consulta, o médico conseguirá identificar como o bebê está enxergando, o seu padrão de fixação dos olhos e o reflexo das pupilas, por exemplo. “O oftalmologista irá verificar se os olhos estão alinhados. Se houver algum tipo de estrabismo – quando um olho fixa em um objeto e o outro permanece desviado –, começa-se logo o tratamento e é possível corrigir bem a maioria dos casos”, diz o especialista. “Durante a avaliação, também se costuma dilatar as pupilas do bebê para checar o grau de refração dos olhos. Assim, verifica-se quando há miopia, hipermetropia, se ambos os olhos têm o mesmo grau de óculos ou não…”

Um problema comum em bebês é a obstrução do canal lacrimal, que faz com que os pequenos lacrimejem e fiquem com os olhos inchados. É possível que essa obstrução desapareça naturalmente até um ano de idade. De qualquer maneira, muitas vezes o tratamento consiste apenas em uma massagem realizada pelo médico.

Casos recorrentes também são os de pálpebra caída, o que pode inclusive atrapalhar a visão, e ambliopia, conhecida como olho preguiçoso. “Há ainda distúrbios menos frequentes, porém que podem ser descobertos em bebês com menos de um ano, como catarata, glaucoma, um olho com pressão diferente do outro ou até mesmo tumores – que são raros, mas ocorrem”, completa Plut.

Atenção sempre

Além dessa primeira consulta rotineira, ao observar qualquer sinal de alteração no desenvolvimento da visão do bebê, é fundamental procurar a opinião de um oftalmologista. Se os pais notam que o filho não olha diretamente para eles, apresenta pupilas de cores diferentes ou qualquer outra alteração, é importante que um médico faça uma análise. Entretanto, vale lembrar que, identificando ou não algo diferente nos olhos do bebê, o indicado é levá-lo para uma consulta com o oftalmologista antes de um ano de idade e depois repetir a visita quando a criança tiver entre dois e três anos.

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