Que tal dizer menos “não”, sem deixar de impor limites?

É muito provável que, quando o seu bebê começar a sentar, engatinhar e, depois, andar, você se dê conta de que diz uma quantidade enorme de “nãos” a ele durante o dia. A preocupação em evitar que se machuque, caia ou mexa em objetos perigosos, por exemplo, faz com que pais e cuidadores exagerem um pouco na proteção. No entanto, como tudo na vida, quando há exagero, o melhor é passar a prestar atenção antes que se torne prejudicial.

“Os bebês e as crianças estão descobrindo muitas coisas constantemente. Ouvir ‘não’ para tudo fará com que se sintam desestimulados a experimentar. E essa é a fase da infância em que estamos moldando aspectos emocionais para a vida toda”, diz o psicólogo e psicoterapeuta Daniel Carvalho. “Aqueles que foram podados demais ao longo dessa etapa apresentam uma tendência maior a se transformarem em adultos inseguros, que têm receio de arriscar ou tomar decisões. Ainda que não se tenha consciência da memória do que foi vivido, a emoção permanece registrada e ressurge quando você se expõe a certas situações”, completa.

Avalie melhor quando os limites são realmente necessários 

Buscar o equilíbrio é sempre o principal desafio. É impossível evitar alguns “nãos”, no entanto há muitos outros que podem ser substituídos oferecendo ao bebê ou à criança alternativas viáveis do que é permitido fazer.

Em vez de apenas dizer para não pegar determinado objeto, assim que o pequeno tentar alcançar o que é proibido, procure mudar o foco para outra coisa. Tente oferecer um brinquedo ou propor uma atividade para realizarem juntos. “Às vezes a criança não aceita a troca e, claro, existem situações em que não haverá jeito, ela se sentirá frustrada por ser impedida de fazer algo. Nesse instante, é importante acolher e explicar que você entende que ela está chateada, mas não pode deixá-la se machucar. Evite os gritos e procure reagir com afeto”, orienta Carvalho.

Avalie antes, e com bastante critério, os casos em que não é possível ceder

Vale escolher bem as “batalhas” que serão travadas. Isso porque, especialmente durante os primeiros anos de vida, é fundamental testar e fazer experimentos para se desenvolver. Então, releve os casos de menor importância e concentre-se em restringir os limites daquilo que é essencial, que expõe ao perigo ou que realmente é necessário para a educação do seu filho.

É comum acontecerem birras ou comportamentos mais agressivos, afinal a criança ainda não sabe lidar com as emoções e busca descontar o que está sentindo. Nesses casos, pense também em opções seguras para que ela extravase a sua insatisfação. “Se o bebê ou a criança for arremessar um objeto, impeça, diga que aquilo pode quebrar e sugira bater em uma almofada ou um boneco do tipo ‘João bobo’. Isso o ajudará a canalizar melhor a emoção”, aconselha o psicólogo e psicoterapeuta.

Mostrar alternativas e fazer com que a criança participe das escolhas do que irá fazer fortalece nela o poder de tomar decisões e contribui para compreenda melhor os limites. Aos poucos, ela entenderá o que é permitido ou não.

Saiba como ajudar o seu filho a lidar melhor com as emoções dele e, assim, conseguir compreender determinadas reações e atitudes. Isso terá benefícios para toda a vida

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