6 dicas para uma alimentação saudável

Criar hábitos alimentares saudáveis é uma tarefa que depende não apenas do que se oferece à criança como também dos costumes praticados pela família. “A alimentação deve ter um clima leve. Quanto maior a guerra em relação à comida, mais difícil será para todos. Armando uma batalha ou levando a situação com calma, a criança come a mesma quantidade. Eu arriscaria dizer que, em uma disputa, é comum a criança vencer e se alimentar ainda menos”, comenta a nutricionista Natália Vignoli, da Barah Nutrição.

Se no dia a dia o padrão é consumir em casa uma boa quantidade de frutas, vegetais, grãos integrais… com certeza esses hábitos serão replicados de maneira automática em outros ambientes, como na escola, em viagens ou em festas. Veja a seguir as dicas da nutricionista para que rotina alimentar do seu filho seja construída do melhor modo possível.

1. Seja o exemplo de uma boa alimentação

Não adianta querer que o seu filho faça refeições saudáveis se isso não é o que ele vê nos hábitos da família.

2. Evite brigas ou reprovações

Conduza a alimentação de forma natural. Incentive a criança a experimentar, explicando que, para provar, ela precisa colocar na boca, mastigar e realmente sentir o gosto, antes de dizer se gosta ou não de algo. Principalmente quando se trata de bebês, ofereça o alimento várias vezes, em diferentes situações e apresentações variadas.

O “não gostar” talvez não seja definitivo. Às vezes, há uma certa resistência a um novo sabor, que pode ser quebrada em algum momento. “Por fim, nada de pânico. É normal que a criança passe por fases em que ama um alimento e depois o recusa”, diz Natália.

3. Facilite a sua rotina

Compre legumes já descascados e cortados. Organize as compras semanais e congele alguns itens prontos e separados em porções pequenas, em quantidades que correspondam a uma refeição. Você pode usar, por exemplo, formas de gelo para esse congelamento. Depois que o alimento estiver congelado, transfira os cubos para um saco plástico próprio para essa finalidade. Assim, ocupará menos espaço. Essa prática evita desperdícios e garante uma maior diversidade para as refeições, já que você terá vários vegetais para alternar, sem precisar cozinhar todos os dias.

4. Varie os tipos de preparo

Caso a criança recuse frequentemente um alimento, procure combiná-lo a outro ela goste ou crie formas de apresentação que possam parecer mais lúdicas e atrativas.

5. Leve o filho à feira, ao mercado e cozinhe junto

Propor que ele participe de todo o processo pode tornar mais prazeroso o ato de comer.

6. Tente fazer sempre boas opções

Verifique a procedência dos alimentos, priorizando os orgânicos. Use gorduras de melhor qualidade, como manteiga ghee, azeite e óleo de coco. Procure não adicionar sal ou açúcar. Dê preferência a ervas frescas e especiarias (orégano, manjericão, alecrim, tomilho, noz moscada, páprica, curry, cominho, salsinha, coentro etc.).

“Evite os produtos industrializados e, na dúvida, aposte em alternativas simples para lanches: frutas com cereais como aveia ou quinoa, pastas veganas de abacate ou grão de bico, pasta de amendoim, ovos caipiras cozidos ou mexidos, palitinhos de cenoura e cookies caseiros. Hoje também existem empresas que comercializam snacks sem conservantes com ótimo perfil nutricional, vale conhecer”, orienta Natália.

A alimentação também exerce um papel fundamental na rotina das crianças. Entenda por que é importante estabelecer essa rotina desde cedo   

Ajude seu filho a compreender melhor as emoções dele

Saber lidar com as próprias emoções pode ser um desafio para muitos adultos. Mas talvez isso se tornasse mais fácil e natural caso fosse algo exercitado desde criança. “Trabalhar as competências socioemocionais em crianças tem vários benefícios a longo prazo, como a melhora nos relacionamentos e na saúde”, diz Tonia Casarin, professora de pós-graduação do Instituto Singularidades, consultora em Educação e autora do livro “Tenho Monstros na Barriga”, usado como uma ferramenta para as crianças aprenderem a identificar as próprias emoções.

“Desde que o bebê nasce, é importante que os pais tenham consciência do clima da casa, que influencia bastante os pequenos. Promover o acolhimento dos sentimentos e nomeá-los é fundamental para a educação emocional”, explica Tonia. “Nos primeiros anos, enquanto o bebê ainda não fala, os pais podem inclusive nomear as emoções para eles, como: ‘Eu sei que está frustrado, filho’ ou ‘Você morde porque está com raiva e ainda não consegue dizer isso. Precisa expressar a sua raiva de outra maneira.’”

A consultora lembra ainda que, ao nascer, o bebê não possui o cérebro totalmente formado. E a parte responsável por regular as emoções se desenvolve até mais ou menos os 25 anos. Ou seja, é comum que as crianças não consigam controlar as suas emoções simplesmente por não estarem biologicamente prontas para isso.

Confira algumas dicas de Tonia para ajudar o seu filho nesse processo de conhecer melhor o que ele sente

1. Seja expressivo

Você é o primeiro professor do seu bebê sobre sentimentos. Mesmo antes que ele compreenda plenamente as palavras, está aprendendo sobre o mundo por meio dos seus pais. Olhares expressivos ou cautelosos e o tom de voz poderão orientar, advertir ou consolá-lo, dependendo da situação.

2. Saiba que o bebê pode “ler” o seu rosto

Ele aprende sobre emoções com base nas expressões no seu rosto. Conforme o bebê cresce, ele desenvolve a capacidade de ler as suas emoções. Na verdade, mais do que isso, ele se guia pelas suas expressões emocionais.

3. Lembre-se de que o bebê aprende ouvindo o tom de sua voz

Mesmo que ainda não compreenda as palavras, ele entende o sentimento comunicado por meio do tom de voz. Já percebe que tons diferentes aplicados nas frases comunicam mensagens diferentes.

4. Tenha em mente que o bebê toma decisões com base nas suas expressões, no tom da sua voz e nas palavras que você usa

Com as suas mensagens de incentivo ou precaução, o seu bebê está aprendendo a navegar neste mundo. Esse processo de aprendizagem é chamado pelos pesquisadores na área de “referência social”. Ainda que ele não entenda todas as suas palavras, pode olhar para a expressão em seu rosto para decidir o que fazer ou não.

5. Ajude o seu bebê a aprender a ser expressivo

Seja entusiasta! Fale com o seu filho de uma forma positiva. Não tenha vergonha de dizer de forma categórica “role a bola para mim!” ou falar efusivamente “cuidado, a água está muito quente!”.

6. Combine a expressão facial com as suas emoções

Demonstre os sentimentos de modo claro, para que o seu rosto, as palavras e o seu tom de voz comuniquem o que você quer dizer. O bebê vai entender melhor quando a sua expressão facial, o tom de voz e as ações durante a mensagem expressarem o que você sente e forem coerentes. A ironia ainda não é assimilada pela criança nessa faixa etária.

7. Crie um espaço seguro para que a criança se expresse

Uma criança de dois anos, por exemplo, pode mostrar um forte senso individual e responder diversos “nãos” aos pedidos de um adulto, simplesmente para se afirmar. Auxilie a criança a reconhecer os seus sentimentos e nomeá-los. Essa ação vale não apenas para as emoções dela, mas também para entender como os outros podem se sentir e já começar a desenvolver empatia.

Conheça os principais conceitos da chamada disciplina positiva