Quando e por que se deve criar uma rotina para o bebê

Manter alguns rituais diários ajuda o bebê a se sentir mais seguro e se preparar para o que está por vir, sabendo mais ou menos a ordem do que acontece ao longo do dia. Mas quando começar a fazer isso? O momento certo será indicado pelo seu próprio bebê.

“Há profissionais que acreditam ser importante já estabelecer algumas regras desde o nascimento, como horários para as mamadas a cada três horas. Eu não penso assim. Na minha opinião, o nascimento é um momento muito difícil e é preciso respeitar a adaptação do bebê. O recém-nascido saiu de um ambiente escuro, em que ele tinha tudo durante 24 horas por dia, recebia alimento, calor, proteção… De repente, ele precisa absorver novos estímulos visuais, auditivos, olfativos etc. A mãe também necessita de um tempo para se preparar e se envolver com esse ser que chegou”, diz Beatriz Bork, psicóloga clínica com mais de 25 anos de experiência no atendimento de pacientes com foco nos aspectos emocionais, distúrbios de aprendizagem, estimulação das funções cerebrais e orientação educacional.

De acordo com a especialista, nessa primeira fase de vida, não seria ideal buscar implementar uma rotina. “É uma etapa de construção a dois, entre o bebê e a pessoa que cuidará dele, seja a mãe, o pai ou um responsável. Muitas vezes é comum que não se saiba o que fazer, não importa o quanto você se preparou, leu e estudou. O mais aconselhável é deixar tudo um pouco de lado e se dispor a fazer um caminho junto com o seu bebê. Ele conta muito sobre os caminhos a seguir, se você souber ouvi-lo. Esse bebê deve ser respeitado e escutado, já que ‘fala’, sim, de várias maneiras”, orienta Beatriz.

Comece a considerar criar uma rotina depois de alguns meses

Tudo precisa ser feito com muito cuidado, em prol do bem-estar do bebê. A rotina é um fator limitador, que impõe algumas regras e frustrações, como horários para se alimentar e dormir. “Aos poucos, você passa a perceber que essas frustrações podem ser cada vez mais ampliadas. A frustração pode e, na verdade, seria realmente bom que fosse sempre sustentada no instante seguinte com aconchego. Isso desenvolve a capacidade desse bebê suportar um tempo maior de frustração. Esse processo é muito importante para o aprendizado. Caso contrário, criamos alguém que não suporta coisa alguma e isso será muito duro para ele no futuro”, avalia a psicóloga.

“Não existe uma data para o início de uma rotina. Acredito na construção dela. No princípio, mais direcionada pelo bebê e, depois, inserindo regras estabelecidas para determinados aspectos, como a alimentação ou o horário em que a mãe ou o pai irá sair e depois retornar”, relata Beatriz. “É importante explicar o que vai acontecer. Ao longo do tempo, essas colocações vão estabelecendo confiança e segurança para o bebê do que irá acontecer.”

Seja flexível

Fixar algumas regras proporciona um certo conforto ao bebê, pois, de alguma maneira, ele começa a seguir sinais e sabe que será o momento de determinada coisa. Mas a rotina não precisa ser rígida. “Não tem de ser algo quadrado. Pense na estrutura do dia para definir aproximadamente os intervalos em que algumas atividades serão realizadas. Por exemplo, se o almoço ocorre entre 11h30 e 13h, você consegue prever o horário em que o bebê ou a criança precisa comer o lanche da manhã sem que isso atrapalhe o apetite do almoço”, recomenda a especialista.

“O mesmo deve ser feito em relação às sonecas e ao sono da noite. Antes de dormir, siga sempre o mesmo ritual, que pode incluir brincadeiras mais calmas, a contação de uma história, o jantar e o banho. Há crianças que relaxam quando tomam banho e outras despertam. Você precisa descobrir como o seu bebê reage e ver o que funciona para ele.” Em um dia ou outro, podem haver modificações dentro dessa rotina, claro. Porém, o indicado é avisar o bebê ou a criança sobre essas mudanças eventuais e contar o que será feito.

Considere mudanças

A rotina pode ser alterada no meio do caminho quando necessário. “No entanto, é diferente se deparar com uma situação ou outra e ser cada dia uma novidade. A falta da construção de uma rotina torna difícil para que o bebê forme um contorno confiável, já que ele nunca sabe o que vai acontecer”, alerta Beatriz.

A partir de um ou dois anos, quando a criança começa a compreender melhor o que a cerca, é possível que ela participe da formação dessa rotina. “Certas decisões pertencem ao adulto. Mas é importante que a criança tenha voz ativa. Ela pode escolher, por exemplo, a roupa que vai usar entre algumas opções. Isso refletirá muito no tipo de cidadão que você pretende construir. Se deseja que seja um ser humano crítico, permita que, desde cedo, ele comece a refletir, fazer escolhas.”

Confira também 5 passos para ajudar a desenvolver bons hábitos de sono para o seu bebê

Entenda o que são os períodos sensíveis de desenvolvimento

Um intervalo de tempo em que a criança está especialmente apta e a fim de desenvolver uma capacidade específica ou adquirir um determinado tipo de conhecimento. Esse é o significado dos chamados períodos sensíveis. No total, existem onze períodos sensíveis e todos ocorrem até os seis anos de idade, sendo que alguns podem ser simultâneos.

“Um bebê não pensa ‘vou começar a engatinhar, porque, assim, ficará mais fácil depois passar a andar’. Bebês e crianças pequenas apresentam impulsos interiores que os conduzem em direção ao desenvolvimento. Trata-se da força da vida impulsionando o desenvolvimento”, explica o pesquisador Gabriel Salomão, que escreve sobre o método Montessori no site Lar Montessori.

O período sensível de movimento, por exemplo, acontece entre zero e um ano ou um ano e meio. Durante esse intervalo, quase tudo na vida do bebê se resume a movimento. “É praticamente impossível fazer com que uma criança de um ano permaneça quieta, parada. Ela precisa se mover o tempo todo e esse é o objetivo da vida dela naquele momento. Isso é o que caracteriza o período sensível: o foco total dos esforços em prol de uma capacidade”, relata Salomão.

Já o período sensível referente à linguagem dura de zero a seis anos, manifestando diferentes nuances ao longo desse tempo. “Se um bebê de cinco meses estiver concentrado e brincando e alguém começar a falar por perto, ele imediatamente para e olha atento para o que a pessoa está dizendo. A voz humana interessa, pois ele está em um momento de aquisição de linguagem. A criança não tem poder para decidir sobre os períodos sensíveis. Ela não pode decidir não se movimentar ou optar por não prestar atenção em linguagem. Isso não cabe a ela, é interior e inato.”

Os períodos sensíveis foram uma descoberta da educadora e médica Maria Montessori, criadora do método Montessori. Ela começou a notar em várias crianças da mesma faixa etária impulsos, vontades, gostos e prazeres similares, assim como crises também. A partir de então, identificou cada um desses momentos em que as crianças estavam voltadas para aprendizados específicos, chamando-os de períodos sensíveis.

Vale ressaltar que o período sensível não deve ser confundido com uma vontade de aprender. “Quando uma criança de oito anos, por exemplo, demonstra se interessar por um determinado assunto, como eletricidade, e quer se dedicar a conhecer mais sobre circuitos, isso é um gosto individual, que ela pode escolher. Não são todas as crianças de oito anos que terão interesse por esse tema. Já no período sensível é impossível escolher. Todos os bebês ou crianças passarão por eles aproximadamente na mesma faixa etária”, explica o pesquisador.

Veja a faixa etária de cada período sensível

Faixa etária dos períodos sensíveis de desenvolvimento

Como se colocar diante de cada fase da criança

Para o bom andamento dos aprendizados, há períodos sensíveis em que não é preciso intervir, basta permitir que a criança evolua sozinha. Em outros momentos, ajudar se mostra essencial. O período sensível de movimento não demanda nenhum estímulo externo. O importante é possibilitar que o bebê faça as suas explorações pelos ambientes, não forçando-o a ficar parado ou restrito por muito tempo a um local que o limite, como o berço. Deixar que o pequeno circule pela casa, frequente lugares ao ar livre e brinque com diferentes objetos é suficiente para que ele se desenvolva.

Em relação à linguagem, o recomendado é apenas conversar bastante com a criança. “Muitas vezes, as pessoas reduzem a comunicação com a criança a comandos e negações, como ‘sente aqui’, ‘não pegue isso’… Isso é uma comunicação extremamente pobre para aquisição de linguagem. Converse, conte o que está fazendo, como foi o seu dia etc., mesmo que o bebê ainda não tenha idade para compreender ou interagir. Caso isso seja feito, você não terá de recorrer a nenhum outro artifício específico para que a fala e o vocabulário do seu filho se desenvolvam”, orienta Salomão.

No período sensível de detalhes, quando se inicia um certo desinteresse por imagens grandes e a tendência é prestar atenção em objetos pequenos ou partes de algo, não é necessário fazer nada, apenas observar e compreender. E os aprendizados sobre relações espaciais, em geral, se desenvolvem naturalmente, conforme a criança corre, brinca, encaixa uma peça em outra…

Por outro lado, existem períodos sensíveis mais complexos, como o da escrita, da leitura e da matemática. Para esses, o mais indicado realmente é a condução do aprendizado pela escola, que fará os trabalhos adequados. É muito importante que essas capacidades sejam incentivadas de maneira apropriada para que não se iniba a vontade de aprender que a criança demonstra.

O papel de pais e cuidadores

Em determinados períodos sensíveis, a família tem um papel fundamental. Ela pode contribuir para o desenvolvimento musical ao estabelecer o costume de ouvir ou cantar canções. Também pode ter instrumentos musicais de qualidade para apresentar ao bebê e deixar à disposição dele junto aos brinquedos. Aposte em uma flauta, um chocalho ou uma peça de percussão, nada de eletrônicos que não representem o real som dos instrumentos.

A ordem é outro ponto primordialmente conduzido por pais e cuidadores. “Em especial entre dois e quatro anos, a criança precisa de ordem de três maneiras. No ambiente físico, a casa precisa ser organizada, previsível e as coisas precisam estar sempre no mesmo lugar. Na questão do tempo, é importante manter uma rotina baseada em uma sequência de rituais, o que não significa uma rigidez de horários. Se ao acordar, a criança toma café da manhã, em seguida, escova os dentes, pega a mochila e vai para a escola, é desse jeito que ela fará todos os dias. Mas, caso um dia acorde mais cedo, terá mais tempo para essas tarefas. No fim de semana, realizará a mesma sequência, porém não irá para a escola. O ritual deve ser sempre o mesmo, com alguma flexibilidade.

Esse hábito dá à criança uma certeza de como o mundo funciona e uma organização concreta do tempo, já que o relógio e as horas ainda são conceitos abstratos. A ausência de ordem no espaço ou no tempo é considerada responsável por cerca de 60% ou 70% do que as pessoas chamam de terrible twos [muitos apontam que, aos dois anos, as crianças tendem a se comportar de maneira oposta aos pedidos dos pais]”, diz Salomão.

“Por fim a criança também precisa de ordem na conduta do adulto, que é um termômetro para que ela consiga entender suas próprias ações. Portanto, ao permitir um determinado tipo de atitude, permita sempre e não somente em alguns momentos. A conduta tem de ser muito semelhante todo o tempo. Claro que eventualmente irá falhar, mas precisa ser bastante similar na maioria das vezes. A inconstância deixa a criança em um estado de incerteza que causa ansiedade e estresse, o que dificulta o aprendizado e uma socialização sadia.”

As consequências de não estar atento aos períodos sensíveis

Caso os períodos sensíveis não sejam devidamente conduzidos, a criança poderá aprender as mesmas habilidades, porém aplicando muito mais esforço, pois já passou o intervalo em que estaria mais propensa a desenvolver aquela capacidade. Mas há ainda o risco carregar marcas para toda a vida, dependendo do que se refere.

“Imagine uma situação absurda de uma criança que fosse enfaixada desde o nascimento e impedida de se movimentar até os dois anos de idade. Ela poderia fazer fisioterapia, recuperar os movimentos, caminhar, correr, carregar coisas… Mas ela sofreria consequências durante toda a vida com prejuízos, por exemplo, para os reflexos ou uma coordenação motora mais delicada. A mesma experiência pode se refletir em outras áreas. Apresentar a matemática para uma criança e fazer com que ela se encante pelos números será positivo para uma série de aptidões no futuro, como raciocínio, lógica, entre outros conhecimentos”, conclui Salomão.

Saiba como ajudar o seu filho a compreender as emoções dele e saber lidar melhor com determinadas situações

5 passos para ajudar o seu bebê a ter um sono tranquilo

É importante criar desde cedo uma rotina de sono para ajudar a orientar o seu bebê sobre o horário de dormir. “Os bebês não nascem com os ritmos circadianos [atividades do ciclo biológico] totalmente desenvolvidos e só a partir de nove ou doze semanas começam a produzir mais o hormônio do sono, a melatonina. Mas entre três e quatro mês já é indicado manter uma rotina. Isso não quer dizer realizar processos de educar o sono. Ter uma rotina significa observar quando o bebê sente sono, tentar notar os sinais que demonstra, cuidar bem do ambiente em que ele dorme e passar a estipular um ritual antes de dormir. Isso pode ser simples, como um banho, uma troca de roupa ou a leitura de uma história”, orienta Marcia Horbacio, consultora do sono há 12 anos, que atualmente mora no Canadá e atende também à distância, elaborando planos personalizados para cada família. Confira cinco dicas que você pode adotar para garantir um sono de qualidade para o seu filho e conquistar noites mais tranquilas.

1. Evite colocar o bebê sempre adormecido no berço

Alguns pais tentam colocar o bebê sonolento e acordado, porém, quando não conseguem, desistem e acham que ‘para o filho deles isso não funcionará’. No entanto, deveriam persistir e seguir tentando sempre que o bebê estiver calmo. Continue insistindo até que um dia dará certo.

2. Mantenha consistência no método escolhido

Um erro comum é experimentar diversas técnicas diferentes. Ainda que o bebê mude de comportamento, sustente o mesmo ritual de resposta. A chave para corrigir qualquer mudança de comportamento é a consistência.

3. Tenha em mente que não há receita perfeita para todos

“Para determinar o que fazer é preciso avaliar como está a duração de sono, as janelas de tempo acordado, os rituais realizados, as rotinas e o ambiente de sono e pré-sono”, diz Marcia. “Se tudo está certo e o pediatra se considera satisfeito com a saúde do bebê, incluindo a sua alimentação, o seu peso etc., poderemos propor um método para educar o sono.” A medida que o tempo passa, a criança se acostuma a dormir de uma determinada forma que ela aprendeu. Isso talvez possa dificultar um pouco mais o processo de educar o sono, porém não é regra.

4. Estabeleça horários regulares para o sono, não rígidos

“Analise sempre o intervalo de tempo que o bebê passa acordado. Não adianta colocar a criança para dormir todas as noites exatamente no mesmo horário inclusive em um dia em que ela não fez boas sonecas ou pulou a última soneca do dia. O horário de dormir deve ser ajustado para mais tarde quando a criança dormiu por mais tempo em sua última soneca ou mais cedo quando estiver muito cansada – e nem sempre ela demonstra isso, os pais têm de ficar atentos às janelas de sono”, recomenda Marcia.

5. Cuide bem do ambiente em que a criança dorme durante a noite

O ideal é que seja escuro – “que não se possa enxergar a mão em frente ao rosto”, indica Marcia – e a temperatura precisa ser fresca, já que o calor pode acordar a criança. O melhor é que tenha poucos brinquedos ou detalhes na decoração muito coloridos. E aposte em um colchão firme e, de preferência, opte por um lençol de algodão puro, bem apertado ao colchão. “Caso os pais gostem do recurso, o ruído branco pode ser de grande ajuda para bloquear barulhos externos”, aconselha a consultora.

Quer montar um quarto baseado no método montessoriano? Veja como

Quarto montessoriano: mais autonomia para os pequenos

Um ambiente clean, com objetos e acessórios colocados na altura do olhar das crianças e móveis que permitem ir e vir livremente com segurança. Essas são premissas de um ambiente guiado pelas propostas do método montessoriano. “O quarto é planejado orientado pelo ponto de vista da criança, para que tudo esteja ao seu alcance e ela possa descobrir as coisas sozinha, no seu tempo. É importante que a criança sinta que aquele ambiente foi preparado para ela”, explica Andrea Chapira Eshkenazy, arquiteta da Uêbaa Design.

Cama montessoriana no lugar do berço

O método pode ser adotado desde que os primeiros dias do bebê. Nesse caso, nada de berço. O recém-nascido dorme em uma cama sem pés ou em um colchão colocado diretamente no chão. Assim, quando começar a se mover e engatinhar, ele terá livre acesso ao local de dormir. “O objetivo é dar autonomia aos pequenos e o ideal é que a cama não tenha grades, já que o bebê pode se apoiar nelas para ficar em pé e acabar caindo. O mais indicado é adotar apenas rolos como proteção lateral”, orienta Andrea.

Reduza a quantidade de objetos

Como o intuito é não sobrecarregar as crianças com excesso de estímulos, até mesmo a quantidade de brinquedos deve ser dosada. Recomenda-se deixar cerca de seis brinquedos ou jogos em móveis baixos, à disposição da criança, e guardar os outros. “De tempos em tempos, faça um ‘rodízio de brinquedos’, revezando os que ficarão expostos”, sugere a arquiteta.

Tudo ao alcance da criança – sempre com segurança

Ao aderir a esse conceito, opte por móveis e cestos que facilitem o acesso das crianças aos objetos que preenchem o quarto. Boas alternativas são as prateleiras baixas, como as comumente usadas para acomodar livros, e as barras fixadas nas paredes para servir como apoio e facilitar os primeiros passos do bebê.

Outro item bem-vindo nessa proposta é um espelho apoiado no chão. “Com ele, a criança pode começar a se observar, se conhecer. O melhor é que seja um espelho de acrílico para não oferecer riscos. Se o seu bebê ainda não começou a andar, posicione o espelho na horizontal, para que ele consiga se observar melhor. Depois, mude-o para a posição vertical para que a criança se enxergue por inteiro”, aconselha Andrea.

Por fim – e isso vale para qualquer estilo de quarto – seja cuidadoso com a escolha dos móveis. Prefira peças com cantos arredondados e certifique-se de que não são instáveis e possam tomar. Para garantir mais conforto para as brincadeiras no chão, invista em um tapete ou placas de EVA. Mas não se esqueça de verificar os componentes e garantir que não há substâncias tóxicas na composição. Afinal, o seu bebê irá engatinhar, se apoiar para brincar e, depois, muito provavelmente pode levar as mãos à boca.

Confira também 12 dicas para deixar a casa segura para as crianças e evitar acidentes domésticos

Como deixar a casa segura para crianças e evitar acidentes domésticos

Prestar atenção a alguns itens da sua casa pode prevenir uma série de acidentes. Segundo o Ministério da Saúde, os acidentes domésticos estão entre as principais causas de lesões e morte de crianças até nove anos no País. E a boa parte desses ferimentos poderia ser evitada com ajustes simples. A Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) criou uma cartilha várias orientações para eliminar riscos dentro de casa. Confira algumas aqui!

1. Prefira móveis com cantos arredondados

Caso já tenha peças com cantos pontiagudos, coloque proteções macias ou bordas arredondadas nos lugares que possam apresentar perigo.

2. Deixe os armários acessíveis, mas sem oferecer riscos

Guarde itens mais pesados nas partes mais baixas e instale prateleiras longe das camas. Mantenha os móveis leves, como cadeiras e bancos, distantes do quarto das crianças e opte por baús sem tampa ou com uma tampa bem leve.

3. Cheque o funcionamento das maçanetas das portas

Isso evita que as crianças fiquem trancadas acidentalmente em algum cômodo.

4. Escolha bem o berço

Tenha certeza de que o modelo é certificado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). As grades de proteção devem ser fixas e distantes no máximo 5 cm uma da outra. Veja se todos os parafusos e os ajustes estão bem apertados, sem arestas, e confira se há uma distância máxima de dois dedos entre o colchão e as laterais do berço.

5. Tome cuidado com móveis instáveis, vidros e espelhos

Tente remover ao máximo os móveis instáveis que possam levar a quedas ou prender os dedos ou as mãos das crianças. Fique atento a mesas com tampo de vidro e, no caso de portas de vidros, procure sinalizá-la em uma altura visível para os pequenos. Você pode ainda aplicar uma película transparente e autocolante nos vidros para evitar estilhaços em caso de quebra.

6. Prefira cortinas e persianas sem cordas

7. Opte por pisos que não sejam de material escorregadio para evitar tombos

Se tiver tapetes em casa, fixe-os no piso com fita adesiva.

8. Proteja as tomadas

Reveja fiações antigas e fios desencapados, por exemplo. E o ideal é que todos os fios elétricos estejam afastados do alcance das crianças.

9. Use grades e travas de proteção nas janelas

Grades e portões também devem ser utilizados na base e no topo de escadas.

10. Conserve o chão do banheiro seco, para evitar escorregões, e guarde lâminas de barbear, tesouras e secadores de cabelo

Se você tem banheiras em casa, não as deixe com água e supervisione sempre a criança tomando banho. O mesmo cuidado vale para as piscinas, que devem ser protegidas com cercas e portões com, no mínimo, 1,5 m de altura. Alarmes e capas podem ajudar, mas não eliminam 100% os acidentes.

11. Fique atento à cozinha

Tome cuidado com facas, peças de vidro ou cerâmica e alimentos ou bebidas quentes. Ao cozinhar, dê prioridade às bocas de trás do fogão e vire os cabos das panelas para o centro. Além disso, considere instalar uma proteção que impeça a criança de abrir o gás e a porta do forno.

12. Guarde medicamentos, produtos de limpeza e sacos plásticos fora do alcance das crianças

Também deixe baldes e bacias vazios e em locais altos.

Que tal montar um quarto com inspirações no método montessoriano, priorizando a autonomia das crianças sempre com segurança? Veja dicas e ideias aqui