Programação infantil especial no Museu da Imigração

Brinquedos educativos, oficinas, apresentação musical, pintura para bebês… De 4 a 29 de janeiro, o Museu da Imigração contará com uma programação pensada especialmente para o público infantil. Todas as atividades são gratuitas e dedicadas a crianças até 10 anos.

Além de atrações em datas específicas, foi criado um espaço chamado Mundo de Brincar, que funcionará durante todo o período da ação. Nessa área, os pequenos podem se divertir com brinquedos educativos, fantoches, bonecas, jogos de tabuleiro, piscina de bolinha, cama elástica e diversos livros. O local fica aberto de quarta-feira a domingo, das 11h às 17h, basta chegar e fazer um rápido cadastro.

Para participar das outras atividades, é necessário se inscrever pelo e-mail inscricao@museudaimigracao.org.br. O ingresso que permite a entrada no museu e acesso às exposições custa R$ 6.

Confira a programação:

CAÇA-TRILHA – Todas as quartas-feiras de janeiro, das 15h às 16h30
A partir de 8 anos
As crianças percorrerão o museu em busca de pistas, aprendendo sobre histórias da Hospedaria de Imigrantes do Brás.

MEU AMIGO DE PAPEL – 8 de janeiro, das 15h às 16h
A partir de 6 anos
Oficina de fantoches de papel para crianças.

PINTURA PARA BEBÊS – 14 de janeiro, das 15h às 16h
De zero a 2 anos
Uma enorme folha de papel craft será estendida no jardim do museu para os bebês realizarem uma grande pintura.

APRESENTAÇÃO DA DUPLA ENCANTORÉ – 15 de janeiro, das 15h às 16h
Faixa etária livre
Os músicos farão um show interativo, usando vários instrumentos, como sanfona, tambor e pandeiros.

É PRA COMER OU PRA BRINCAR? – 22 de janeiro, das 15h às 17h
A partir de 6 anos
Os pequenos aprenderão a fazer a receita de Biscoito Dominó e aproveitarão uma tarde de jogos no museu.

BORA FAZER PIPA? – 29 de janeiro, das 15h às 16h30
A partir de 8 anos
Utilizando referências regionais e culturais, os participantes serão convidados a confeccionar suas próprias pipas.

Museu da Imigração
Endereço: Rua Visconde de Parnaíba, 1316
Telefone: (11) 2692-1866

Ao lado do Museu da Imigração, é possível fazer um passeio de maria-fumaça e conhecer um pouco mais sobre a história do local. Saiba mais!

A importância do brincar – e como respeitar o espaço do seu filho

Muitas das descobertas relacionadas aos bebês são bastante recentes. Com isso, pais, cuidadores e profissionais da educação ainda estão em um processo de descobrir qual o ponto certo de se colocar na mediação das atividades realizadas com eles, sem serem omissos nem intrusivos. E os limites são sempre delicados. É comum agir de forma extremamente incisiva e acabar atropelando as necessidades das crianças.

“O indicado é assumir uma posição atenta e reativa na medida em que os bebês vão mostrando as possibilidades das habilidades que têm naquele momento”, diz Tânia Ramos Fortuna, professora de Psicologia da Educação e coordenadora geral do programa de extensão universitária “Quem quer brincar?”, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Tânia lembra ainda do conceito criado pelo psiquiatra inglês Donald Winnicott sobre a “mãe suficientemente boa”, que seria melhor do que a considerada “mãe perfeita”. “A ‘mãe perfeita’ acaba cometendo atropelos. Já a ‘mãe suficientemente boa’ cria para o filho a ilusão de que existe um mundo que corresponde às suas necessidades e, aos poucos, vai desiludindo esse bebê, colocando-o em contato com a realidade propriamente dita. Ela não realiza imediatamente tudo o que aquele bebê exige, mas, sim, dá espaço para que ele seja capaz de desejar e lidar com algumas frustrações. Vale ressaltar que, no caso, a ‘mãe’ representa a figura que cuida, não necessariamente a mãe da criança”, explica.

Ainda de acordo com o psiquiatra inglês, essas experiências de frustrações serão decisivas para toda a vida emocional posterior. Contribuirão para desenvolver a tolerância às decepções que surgirem e também ajudarão a estimular a capacidade desses bebês de se tornarem adultos com constante vontade de aprender, querer mais e ir à luta.

A evolução das brincadeiras do bebê

Ninguém nasce sabendo brincar, essa é uma habilidade assimilada aos poucos. “Até mais ou menos os oito meses, os bebês fazem apenas atividades pré-lúdicas ou exploratórias, como bater, sacudir, levar algo à boca… Mas ainda não podemos chamar de brincadeiras no sentido pleno, com simbolismos ou noção de repetição intencionalmente mantida”, conta a pedagoga.

Ela esclarece que há três tipos básicos de brincar. Existe a brincadeira de exercício, que corresponde a ações como bater, lançar, levar à boca etc. que já envolvam percepção, movimento, repetição e manutenção das atividades de forma intencional. Assim, o bebê começa a se divertir ao colocar um objeto na boca e afastá-lo ou se esconder atrás de algo e tornar a aparecer.

“Esse tipo de brincadeira predomina até cerca de dois anos e diminui de importância gradualmente. Em torno de um ano e meio ou dois anos, o bebê já é capaz de realizar brincadeiras de faz de conta ou jogos simbólicos, nos quais finge que vai dormir, simula dar comida a bonecos, calça os sapatos dos pais… Essas práticas de faz de conta têm seu ápice por volta dos quatro anos. Depois, passam a dar lugar às chamadas brincadeiras de regras. A partir de cinco ou seis anos, as crianças adquirem uma percepção de regra como algo que elas podem sistematizar e isso permite jogos em grupos, jogos de tabuleiro, entre outros”, conta. “Essas faixas etárias são só referências, variam muito de acordo com as culturas e as épocas. E uma fase coexiste com as outras, o que ocorre é uma preponderância de um tipo de brincadeira e identificamos que acontece nessa sequência.”

Assim como as brincadeiras se alteram ao longo da infância, elas não desaparecem na idade adulta. “Os jogos vão mudando de tamanho e o modo de brincar também. Transforma-se na nossa relação com as experiências culturais, como a literatura e a arte, por exemplo. A vontade de aprender, a curiosidade, o humor e a atitude criativa perante a vida vêm da nossa capacidade de brincar”, revela Tânia.

A importância da diversidade

Nessa fase de intensas descobertas que é a primeira infância, é fundamental oferecer diferentes materiais que possam ser explorados, incluindo os mais rústicos e naturais. Ao se limitar a brinquedos feitos com somente um tipo de material, impõe-se um padrão restrito à criança, que vai simplificando e reduzindo a sua capacidade de percepção. A riqueza e diversidade de texturas, formatos e sons promovem o alargamento do campo estético e valiosas experiências de sensações, o que abastece o sistema nervoso do bebê com informações importantes, colaborando para o seu desenvolvimento neurológico e neuropsicológico.

Outro ponto relevante é garantir a qualidade de interação com esses objetos. Dê tempo para que a criança explore as suas impressões ao pegar os brinquedos, pisar sobre a grama, o tapete ou um chão liso e frio. E preste atenção às suas reações enquanto promove essas experiências ao seu filho. Ter uma postura de que muitas coisas são perigosas, sujas e não valem ser tocadas pode acabar refletindo em experiências de privação que vão modelar a curiosidade de mundo dele.

A criança observa os adultos para saber como agir e reproduz o que vê. Ela se desespera ou se acalma quando acontece algo de acordo como age o pai, a mãe ou o cuidador. “Quando se estabelece uma relação de intimidade e de sintonia é para o bem e para o mal. Isso mostra a grande responsabilidade em respeito às crianças, pois elas são muito vulneráveis às nossas atitudes”, alerta Tânia.

Cuidado com os excessos

Em geral, os ambientes em que se vive já são muito estimulantes. A vida urbana é repleta de informações, barulhenta e, dentro de casa, convive-se com a TV, o aparelho de som, os brinquedos sonoros e outros equipamentos. Até mesmo o quarto do bebê pode apresentar excessos na decoração e ser repleto de bichos de pelúcia, enfeites sobre o berço ou com bonecos e almofadas dentro do próprio berço. Às vezes, tudo para ele está tomado por imagens, sem nenhuma parede branca para a qual possa olhar e simplesmente imaginar. “O bebê fica sobrecarregado com elementos com os quais tem dificuldade de interagir e é comum se recolher demais ou ficar totalmente indiferente. Ele precisa de um tempo para se adaptar à quantidade de estímulos e necessita de uma dosagem deles compatível com a sua capacidade de processá-los, interagir e entender do que se trata”, observa Tânia.

O bebê não precisa se manter risonho e feliz o tempo todo, sem períodos de silêncio e introspecção. É um erro oferecer um brinquedo seguido de outro, sem possibilitar um tempo maior para que ele consiga conhecer o que está em suas mãos. Tânia adverte: “Ao fazer isso, a mensagem transmitida é que ele não deve persistir, se concentrar e que nenhuma situação ou objeto merece sua atenção por um longo tempo. O resultado costuma ser uma pessoa sem foco, distraída e hiperativa, com uma conduta impaciente e pouco perseverante”.

Vale controlar um pouco essa oferta frenética de brinquedos diferentes, avaliar como dosar os estímulos propostos aos bebês ou às crianças e também, quando for brincar com eles, fazer isso de um modo verdadeiro. Coloque de lado a tendência de deixá-los vencer sempre as disputas, por exemplo. Isso só reforça o egocentrismo. Proponha brincadeiras em que a sorte incida e permita que os pequenos eventualmente ganhem.

“Por fim, não se deve perder a intuição. Hoje temos muita informação disponível na televisão, na internet ou em outros meios. Às vezes, isso apaga um pouco a capacidade de agir por nós mesmos e prestar atenção ao nosso bebê. Mas ‘receitas’ apresentam um uso limitado e funcionam em uma situação de exceção e controle das variáveis. A vida não é assim. Receba as orientações dadas como dicas e confie na sua capacidade de intuir”, conclui a pedagoga.

Entenda o que são os períodos sensíveis de desenvolvimento e saiba em quais faixas etárias a criança possui uma tendência inata a adquirir determinadas habilidades

Brincadeiras para fazer com o bebê – inclusive antes mesmo dele aprender a interagir

O livro 125 Brincadeiras para Estimular o Cérebro do seu Bebê traz uma série de ideias para que você entretenha e se divirta com o seu filho desde os primeiros dias de vida dele até um ano. Junto a cada sugestão de brincadeira, há ainda explicações, de acordo com pesquisas científicas, do porquê as atividades são positivas para o desenvolvimento cerebral.

As indicações são bastante simples – e várias delas costumam ser feitas naturalmente, sem que você tenha consciência da importância daquele estímulo. É o caso da brincadeira de esconder o rosto com as mãos e em seguida tirá-las da frente, “achando” o bebê. De qualquer forma, vale contar com um apanhado de dicas para interagir com os pequenos de diferentes maneiras. Veja a seguir algumas das brincadeiras propostas no livro.

Atividades para fazer a partir do nascimento até os 3 meses

– Sopre delicadamente as palmas das mãos do bebê e, em seguida, fale para ele que são “as mãos do bebê”. Faça o mesmo com outras partes do corpo, como dedos, pés, cotovelos, bochechas etc.
– Segure um lenço colorido em frente ao bebê e, quando tiver certeza de que ele está olhando, mova-o lentamente para um lado e para o outro.
– Passe diferentes texturas (como lã, tecidos felpudos, toalhas e cetim) sobre mãos, braços e pés do bebê.

Brincadeiras para bebês de 3 a 6 meses

– Sente-se em frente a um espelho com o bebê no colo e vá movendo lentamente uma das mãos dele, em seguida um pé.
– Coloque a mão dentro de uma meia e use-a como se fosse um fantoche, fazendo-a “falar”, por exemplo.
– Exercite braços e pernas do seu filho. Levante, com cuidado, uma perna do bebê, repita com a outra e depois eleve as duas ao mesmo tempo. Você pode fazer o mesmo com os braços. Faça tudo lentamente e nunca force um movimento. Se houver resistência, deixe para experimentar a brincadeira outro dia.

Ideias para aqueles que têm entre 6 e 9 meses

– Exponha o bebê a diferentes sons. Amasse um papel, faça ruídos com a boca, imite alguns bichos, finja espirrar…
– Ofereça ao seu bebê brinquedos que ele possa apertar, de pelúcia ou borracha. Isso desenvolve a coordenação motora e também os músculos.
– Pegue o seu bebê no colo, escolha uma música (você pode cantar) e dance com ele.

Sugestões para os pequenos de 9 a 12 meses

– Veja fotos com o seu bebê e vá mostrando a ele as pessoas da família, dizendo seus nomes.
– Embrulhe alguns dos brinquedos preferidos do seu filho e dê a ele. Observe como ele se concentra para descobrir o que está escondido.
– Faça bolhas de sabão para o seu bebê e incentive-o a tocar nelas.

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125 Brincadeiras para Estimular o Cérebro do seu Bebê
Jackie Silberg
Editora Ground

Saiba por que o tempo dedicado às brincadeiras é tão importante na infância