Confira sugestões para uma semana de lanches saudáveis

O café da manhã e as refeições intermediárias – os lanches da manhã e da tarde – são muito importantes para garantir a energia e o desenvolvimento das crianças. Cada uma oferece, em média, 15% da quantidade de calorias diárias necessárias. Além disso, costumam ter quantidades expressivas principalmente de carboidratos, proteínas e fibras.

O indicado é que cada refeição seja oferecida com intervalos de duas ou três horas entre elas. Ou seja, programe os lanches pelo menos duas horas antes do almoço e do jantar. “O melhor é que os bons hábitos alimentares sejam cultivados desde cedo. E sabe-se que pessoas que pulam refeições apresentam, a longo prazo, uma tendência maior ao sobrepeso”, ressalta a nutricionista Giselle Duarte, do Materna Nutrição Infantil.

Outro ponto que Giselle reforça é sobre a alimentação à noite, pouco antes do horário de dormir. “ Muitas vezes pais e cuidadores esquecem de oferecer para as crianças a ceia”, diz. Há casos em que a criança costuma acordar durante a noite e uma das hipóteses que não se pode descartar é a criança realmente estar com fome. “Se ela costuma jantar e dormir cedo, pode ser que sinta fome de madrugada. Nesse caso, o ideal é segurar um pouco mais o horário de ir para a cama e oferecer uma fruta com fibras ou uma vitamina.”

Abaixo, Giselle listou sugestões variadas para uma semana de café da manhã, lanches e ceia

Cardápio com lanches para uma semana

Quando e por que se deve criar uma rotina para o bebê

Manter alguns rituais diários ajuda o bebê a se sentir mais seguro e se preparar para o que está por vir, sabendo mais ou menos a ordem do que acontece ao longo do dia. Mas quando começar a fazer isso? O momento certo será indicado pelo seu próprio bebê.

“Há profissionais que acreditam ser importante já estabelecer algumas regras desde o nascimento, como horários para as mamadas a cada três horas. Eu não penso assim. Na minha opinião, o nascimento é um momento muito difícil e é preciso respeitar a adaptação do bebê. O recém-nascido saiu de um ambiente escuro, em que ele tinha tudo durante 24 horas por dia, recebia alimento, calor, proteção… De repente, ele precisa absorver novos estímulos visuais, auditivos, olfativos etc. A mãe também necessita de um tempo para se preparar e se envolver com esse ser que chegou”, diz Beatriz Bork, psicóloga clínica com mais de 25 anos de experiência no atendimento de pacientes com foco nos aspectos emocionais, distúrbios de aprendizagem, estimulação das funções cerebrais e orientação educacional.

De acordo com a especialista, nessa primeira fase de vida, não seria ideal buscar implementar uma rotina. “É uma etapa de construção a dois, entre o bebê e a pessoa que cuidará dele, seja a mãe, o pai ou um responsável. Muitas vezes é comum que não se saiba o que fazer, não importa o quanto você se preparou, leu e estudou. O mais aconselhável é deixar tudo um pouco de lado e se dispor a fazer um caminho junto com o seu bebê. Ele conta muito sobre os caminhos a seguir, se você souber ouvi-lo. Esse bebê deve ser respeitado e escutado, já que ‘fala’, sim, de várias maneiras”, orienta Beatriz.

Comece a considerar criar uma rotina depois de alguns meses

Tudo precisa ser feito com muito cuidado, em prol do bem-estar do bebê. A rotina é um fator limitador, que impõe algumas regras e frustrações, como horários para se alimentar e dormir. “Aos poucos, você passa a perceber que essas frustrações podem ser cada vez mais ampliadas. A frustração pode e, na verdade, seria realmente bom que fosse sempre sustentada no instante seguinte com aconchego. Isso desenvolve a capacidade desse bebê suportar um tempo maior de frustração. Esse processo é muito importante para o aprendizado. Caso contrário, criamos alguém que não suporta coisa alguma e isso será muito duro para ele no futuro”, avalia a psicóloga.

“Não existe uma data para o início de uma rotina. Acredito na construção dela. No princípio, mais direcionada pelo bebê e, depois, inserindo regras estabelecidas para determinados aspectos, como a alimentação ou o horário em que a mãe ou o pai irá sair e depois retornar”, relata Beatriz. “É importante explicar o que vai acontecer. Ao longo do tempo, essas colocações vão estabelecendo confiança e segurança para o bebê do que irá acontecer.”

Seja flexível

Fixar algumas regras proporciona um certo conforto ao bebê, pois, de alguma maneira, ele começa a seguir sinais e sabe que será o momento de determinada coisa. Mas a rotina não precisa ser rígida. “Não tem de ser algo quadrado. Pense na estrutura do dia para definir aproximadamente os intervalos em que algumas atividades serão realizadas. Por exemplo, se o almoço ocorre entre 11h30 e 13h, você consegue prever o horário em que o bebê ou a criança precisa comer o lanche da manhã sem que isso atrapalhe o apetite do almoço”, recomenda a especialista.

“O mesmo deve ser feito em relação às sonecas e ao sono da noite. Antes de dormir, siga sempre o mesmo ritual, que pode incluir brincadeiras mais calmas, a contação de uma história, o jantar e o banho. Há crianças que relaxam quando tomam banho e outras despertam. Você precisa descobrir como o seu bebê reage e ver o que funciona para ele.” Em um dia ou outro, podem haver modificações dentro dessa rotina, claro. Porém, o indicado é avisar o bebê ou a criança sobre essas mudanças eventuais e contar o que será feito.

Considere mudanças

A rotina pode ser alterada no meio do caminho quando necessário. “No entanto, é diferente se deparar com uma situação ou outra e ser cada dia uma novidade. A falta da construção de uma rotina torna difícil para que o bebê forme um contorno confiável, já que ele nunca sabe o que vai acontecer”, alerta Beatriz.

A partir de um ou dois anos, quando a criança começa a compreender melhor o que a cerca, é possível que ela participe da formação dessa rotina. “Certas decisões pertencem ao adulto. Mas é importante que a criança tenha voz ativa. Ela pode escolher, por exemplo, a roupa que vai usar entre algumas opções. Isso refletirá muito no tipo de cidadão que você pretende construir. Se deseja que seja um ser humano crítico, permita que, desde cedo, ele comece a refletir, fazer escolhas.”

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Ajude seu filho a compreender melhor as emoções dele

Saber lidar com as próprias emoções pode ser um desafio para muitos adultos. Mas talvez isso se tornasse mais fácil e natural caso fosse algo exercitado desde criança. “Trabalhar as competências socioemocionais em crianças tem vários benefícios a longo prazo, como a melhora nos relacionamentos e na saúde”, diz Tonia Casarin, professora de pós-graduação do Instituto Singularidades, consultora em Educação e autora do livro “Tenho Monstros na Barriga”, usado como uma ferramenta para as crianças aprenderem a identificar as próprias emoções.

“Desde que o bebê nasce, é importante que os pais tenham consciência do clima da casa, que influencia bastante os pequenos. Promover o acolhimento dos sentimentos e nomeá-los é fundamental para a educação emocional”, explica Tonia. “Nos primeiros anos, enquanto o bebê ainda não fala, os pais podem inclusive nomear as emoções para eles, como: ‘Eu sei que está frustrado, filho’ ou ‘Você morde porque está com raiva e ainda não consegue dizer isso. Precisa expressar a sua raiva de outra maneira.’”

A consultora lembra ainda que, ao nascer, o bebê não possui o cérebro totalmente formado. E a parte responsável por regular as emoções se desenvolve até mais ou menos os 25 anos. Ou seja, é comum que as crianças não consigam controlar as suas emoções simplesmente por não estarem biologicamente prontas para isso.

Confira algumas dicas de Tonia para ajudar o seu filho nesse processo de conhecer melhor o que ele sente

1. Seja expressivo

Você é o primeiro professor do seu bebê sobre sentimentos. Mesmo antes que ele compreenda plenamente as palavras, está aprendendo sobre o mundo por meio dos seus pais. Olhares expressivos ou cautelosos e o tom de voz poderão orientar, advertir ou consolá-lo, dependendo da situação.

2. Saiba que o bebê pode “ler” o seu rosto

Ele aprende sobre emoções com base nas expressões no seu rosto. Conforme o bebê cresce, ele desenvolve a capacidade de ler as suas emoções. Na verdade, mais do que isso, ele se guia pelas suas expressões emocionais.

3. Lembre-se de que o bebê aprende ouvindo o tom de sua voz

Mesmo que ainda não compreenda as palavras, ele entende o sentimento comunicado por meio do tom de voz. Já percebe que tons diferentes aplicados nas frases comunicam mensagens diferentes.

4. Tenha em mente que o bebê toma decisões com base nas suas expressões, no tom da sua voz e nas palavras que você usa

Com as suas mensagens de incentivo ou precaução, o seu bebê está aprendendo a navegar neste mundo. Esse processo de aprendizagem é chamado pelos pesquisadores na área de “referência social”. Ainda que ele não entenda todas as suas palavras, pode olhar para a expressão em seu rosto para decidir o que fazer ou não.

5. Ajude o seu bebê a aprender a ser expressivo

Seja entusiasta! Fale com o seu filho de uma forma positiva. Não tenha vergonha de dizer de forma categórica “role a bola para mim!” ou falar efusivamente “cuidado, a água está muito quente!”.

6. Combine a expressão facial com as suas emoções

Demonstre os sentimentos de modo claro, para que o seu rosto, as palavras e o seu tom de voz comuniquem o que você quer dizer. O bebê vai entender melhor quando a sua expressão facial, o tom de voz e as ações durante a mensagem expressarem o que você sente e forem coerentes. A ironia ainda não é assimilada pela criança nessa faixa etária.

7. Crie um espaço seguro para que a criança se expresse

Uma criança de dois anos, por exemplo, pode mostrar um forte senso individual e responder diversos “nãos” aos pedidos de um adulto, simplesmente para se afirmar. Auxilie a criança a reconhecer os seus sentimentos e nomeá-los. Essa ação vale não apenas para as emoções dela, mas também para entender como os outros podem se sentir e já começar a desenvolver empatia.

Conheça os principais conceitos da chamada disciplina positiva

Como treinar a concentração já nos primeiros anos de vida

A concentração é um processo de conquista e tem um ponto de partida: a curiosidade. Quando a criança se sente atraída por um tema ou um material, ela naturalmente permanece atenta durante algum tempo ao que despertou o seu interesse.  A partir daí, de maneira gradual, alcançará a concentração. O papel da família nesse momento é respeitar o espaço e o tempo da criança e proporcionar um ambiente que favoreça o desenvolvimento dessa habilidade.

“Estímulos em excesso ou brinquedos demais no quarto, por exemplo, atrapalham e a criança pode ficar perdida em meio a tantos objetos”, alerta Sonia Maria Braga, diretora pedagógica da Meimei Escola Montessoriana, do Rio de Janeiro (RJ), e presidente da Organização Montessori do Brasil. O mais aconselhável é restringir a quantidade de brinquedos que a criança encontra à sua disposição, guardando alguns e fazendo um rodízio daqueles que ficam ao alcance dela. “Quando os pequenos têm muitas coisas disponíveis, é provável que não consigam se dedicar a cada objeto nem explorar todas as suas possibilidades”, pondera a educadora.

Algumas atividades simples e bastante cotidianas também podem ajudar. “Experimente propor à criança despejar um líquido com calma, segurando o copo ou uma jarra com cuidado, ou passar grãos de um pote para outro com uma pinça ou uma colher. São tarefas que têm uma conexão direta com a vida real e exigem movimentos cautelosos. Esse tipo de prática pode colaborar com a conquista da concentração”, orienta Sonia. De qualquer maneira, vale ter em mente que nunca se deve comparar uma criança à outra. Cada uma possui um tempo diferente de desenvolvimento e este precisa ser considerado.

O que pode interferir

Locais muito agitados, falta de brinquedos ou itens que a criança demonstre verdadeiro interesse e constantes interrupções podem afetar a construção do poder de concentração. “Muitas vezes as crianças ou os bebês estão entretidos com suas descobertas e um adulto corta aquilo de forma estabanada. Todo o processo mental que estava se consolidando fica comprometido e retomá-lo exige esforços extras. Respeite o que o seu filho faz. Se ele está se dedicando a algo e demonstra prazer, apenas observe. Além disso, ofereça a ele um ambiente tranquilo e harmonioso, no qual se sinta calmo, apoiado e amparado”, explica Sonia.

A exposição à tecnologia também deve ser dosada. “A tecnologia é uma excelente ferramenta, e não podemos impedir que as crianças tenham acesso a ela, desde que sempre com supervisão. E é fundamental dosar esse uso”, diz Sonia. “Há crianças que passam horas em frente à televisão, a um computador, com um celular ou um tablet nas mãos… elas recebem tudo pronto, não promovem as brincadeiras por meio de ações. Isso reflete negativamente na capacidade de atenção e no desenvolvimento cognitivo.”

A concentração trabalhada desde bebê

Antes de qualquer coisa, observe sempre o seu bebê. “Se você apresenta a ele um móbile, que por si já tem algumas imagens, formas e cores, não precisa balançar esse móbile nem oferecer outros brinquedos para que ele segure ao mesmo tempo. Permita que ele se entretenha olhando as figuras e apenas aguarde. O bebê demonstrará quando tiver perdido o interesse naquilo ou caso necessite de alguma interação. Se ele passar a brincar com o próprio pé, deixe-o à vontade. Não é necessário intervir ou começar a dizer os nomes das partes do corpo, por exemplo”, recomenda a educadora. Quando ele já consegue ficar sentado sozinho, dê três ou quatro brinquedos de formas e texturas diferentes para que manipule, leve à boca, aperte… “A criança é capaz de permanecer um determinado período explorando os objetos ou pode ainda colocá-los de lado para se ater ao ambiente. Ela estará estabelecendo o tempo dela e quanto menos interferência do adulto, melhor.”

É importante saber esperar. “Muitas vezes os adultos impõem o seu ritmo à criança, o que causa dificuldades no seu processo de desenvolvimento. A orientação é observar primeiro para depois atuar. Mesmo quando a criança está brincando e busca o adulto com o seu olhar, é preciso interpretar esse olhar. Talvez ela esteja solicitando ajuda ou pode apenas querer aprovação e, para isso, basta um sinal à distância. Observe com atenção e sensibilidade”, conclui Sonia.

Entenda o que são os períodos sensíveis de desenvolvimento e como você pode contribuir para cada um deles

Entenda o que são os períodos sensíveis de desenvolvimento

Um intervalo de tempo em que a criança está especialmente apta e a fim de desenvolver uma capacidade específica ou adquirir um determinado tipo de conhecimento. Esse é o significado dos chamados períodos sensíveis. No total, existem onze períodos sensíveis e todos ocorrem até os seis anos de idade, sendo que alguns podem ser simultâneos.

“Um bebê não pensa ‘vou começar a engatinhar, porque, assim, ficará mais fácil depois passar a andar’. Bebês e crianças pequenas apresentam impulsos interiores que os conduzem em direção ao desenvolvimento. Trata-se da força da vida impulsionando o desenvolvimento”, explica o pesquisador Gabriel Salomão, que escreve sobre o método Montessori no site Lar Montessori.

O período sensível de movimento, por exemplo, acontece entre zero e um ano ou um ano e meio. Durante esse intervalo, quase tudo na vida do bebê se resume a movimento. “É praticamente impossível fazer com que uma criança de um ano permaneça quieta, parada. Ela precisa se mover o tempo todo e esse é o objetivo da vida dela naquele momento. Isso é o que caracteriza o período sensível: o foco total dos esforços em prol de uma capacidade”, relata Salomão.

Já o período sensível referente à linguagem dura de zero a seis anos, manifestando diferentes nuances ao longo desse tempo. “Se um bebê de cinco meses estiver concentrado e brincando e alguém começar a falar por perto, ele imediatamente para e olha atento para o que a pessoa está dizendo. A voz humana interessa, pois ele está em um momento de aquisição de linguagem. A criança não tem poder para decidir sobre os períodos sensíveis. Ela não pode decidir não se movimentar ou optar por não prestar atenção em linguagem. Isso não cabe a ela, é interior e inato.”

Os períodos sensíveis foram uma descoberta da educadora e médica Maria Montessori, criadora do método Montessori. Ela começou a notar em várias crianças da mesma faixa etária impulsos, vontades, gostos e prazeres similares, assim como crises também. A partir de então, identificou cada um desses momentos em que as crianças estavam voltadas para aprendizados específicos, chamando-os de períodos sensíveis.

Vale ressaltar que o período sensível não deve ser confundido com uma vontade de aprender. “Quando uma criança de oito anos, por exemplo, demonstra se interessar por um determinado assunto, como eletricidade, e quer se dedicar a conhecer mais sobre circuitos, isso é um gosto individual, que ela pode escolher. Não são todas as crianças de oito anos que terão interesse por esse tema. Já no período sensível é impossível escolher. Todos os bebês ou crianças passarão por eles aproximadamente na mesma faixa etária”, explica o pesquisador.

Veja a faixa etária de cada período sensível

Faixa etária dos períodos sensíveis de desenvolvimento

Como se colocar diante de cada fase da criança

Para o bom andamento dos aprendizados, há períodos sensíveis em que não é preciso intervir, basta permitir que a criança evolua sozinha. Em outros momentos, ajudar se mostra essencial. O período sensível de movimento não demanda nenhum estímulo externo. O importante é possibilitar que o bebê faça as suas explorações pelos ambientes, não forçando-o a ficar parado ou restrito por muito tempo a um local que o limite, como o berço. Deixar que o pequeno circule pela casa, frequente lugares ao ar livre e brinque com diferentes objetos é suficiente para que ele se desenvolva.

Em relação à linguagem, o recomendado é apenas conversar bastante com a criança. “Muitas vezes, as pessoas reduzem a comunicação com a criança a comandos e negações, como ‘sente aqui’, ‘não pegue isso’… Isso é uma comunicação extremamente pobre para aquisição de linguagem. Converse, conte o que está fazendo, como foi o seu dia etc., mesmo que o bebê ainda não tenha idade para compreender ou interagir. Caso isso seja feito, você não terá de recorrer a nenhum outro artifício específico para que a fala e o vocabulário do seu filho se desenvolvam”, orienta Salomão.

No período sensível de detalhes, quando se inicia um certo desinteresse por imagens grandes e a tendência é prestar atenção em objetos pequenos ou partes de algo, não é necessário fazer nada, apenas observar e compreender. E os aprendizados sobre relações espaciais, em geral, se desenvolvem naturalmente, conforme a criança corre, brinca, encaixa uma peça em outra…

Por outro lado, existem períodos sensíveis mais complexos, como o da escrita, da leitura e da matemática. Para esses, o mais indicado realmente é a condução do aprendizado pela escola, que fará os trabalhos adequados. É muito importante que essas capacidades sejam incentivadas de maneira apropriada para que não se iniba a vontade de aprender que a criança demonstra.

O papel de pais e cuidadores

Em determinados períodos sensíveis, a família tem um papel fundamental. Ela pode contribuir para o desenvolvimento musical ao estabelecer o costume de ouvir ou cantar canções. Também pode ter instrumentos musicais de qualidade para apresentar ao bebê e deixar à disposição dele junto aos brinquedos. Aposte em uma flauta, um chocalho ou uma peça de percussão, nada de eletrônicos que não representem o real som dos instrumentos.

A ordem é outro ponto primordialmente conduzido por pais e cuidadores. “Em especial entre dois e quatro anos, a criança precisa de ordem de três maneiras. No ambiente físico, a casa precisa ser organizada, previsível e as coisas precisam estar sempre no mesmo lugar. Na questão do tempo, é importante manter uma rotina baseada em uma sequência de rituais, o que não significa uma rigidez de horários. Se ao acordar, a criança toma café da manhã, em seguida, escova os dentes, pega a mochila e vai para a escola, é desse jeito que ela fará todos os dias. Mas, caso um dia acorde mais cedo, terá mais tempo para essas tarefas. No fim de semana, realizará a mesma sequência, porém não irá para a escola. O ritual deve ser sempre o mesmo, com alguma flexibilidade.

Esse hábito dá à criança uma certeza de como o mundo funciona e uma organização concreta do tempo, já que o relógio e as horas ainda são conceitos abstratos. A ausência de ordem no espaço ou no tempo é considerada responsável por cerca de 60% ou 70% do que as pessoas chamam de terrible twos [muitos apontam que, aos dois anos, as crianças tendem a se comportar de maneira oposta aos pedidos dos pais]”, diz Salomão.

“Por fim a criança também precisa de ordem na conduta do adulto, que é um termômetro para que ela consiga entender suas próprias ações. Portanto, ao permitir um determinado tipo de atitude, permita sempre e não somente em alguns momentos. A conduta tem de ser muito semelhante todo o tempo. Claro que eventualmente irá falhar, mas precisa ser bastante similar na maioria das vezes. A inconstância deixa a criança em um estado de incerteza que causa ansiedade e estresse, o que dificulta o aprendizado e uma socialização sadia.”

As consequências de não estar atento aos períodos sensíveis

Caso os períodos sensíveis não sejam devidamente conduzidos, a criança poderá aprender as mesmas habilidades, porém aplicando muito mais esforço, pois já passou o intervalo em que estaria mais propensa a desenvolver aquela capacidade. Mas há ainda o risco carregar marcas para toda a vida, dependendo do que se refere.

“Imagine uma situação absurda de uma criança que fosse enfaixada desde o nascimento e impedida de se movimentar até os dois anos de idade. Ela poderia fazer fisioterapia, recuperar os movimentos, caminhar, correr, carregar coisas… Mas ela sofreria consequências durante toda a vida com prejuízos, por exemplo, para os reflexos ou uma coordenação motora mais delicada. A mesma experiência pode se refletir em outras áreas. Apresentar a matemática para uma criança e fazer com que ela se encante pelos números será positivo para uma série de aptidões no futuro, como raciocínio, lógica, entre outros conhecimentos”, conclui Salomão.

Saiba como ajudar o seu filho a compreender as emoções dele e saber lidar melhor com determinadas situações

5 passos para ajudar o seu bebê a ter um sono tranquilo

É importante criar desde cedo uma rotina de sono para ajudar a orientar o seu bebê sobre o horário de dormir. “Os bebês não nascem com os ritmos circadianos [atividades do ciclo biológico] totalmente desenvolvidos e só a partir de nove ou doze semanas começam a produzir mais o hormônio do sono, a melatonina. Mas entre três e quatro mês já é indicado manter uma rotina. Isso não quer dizer realizar processos de educar o sono. Ter uma rotina significa observar quando o bebê sente sono, tentar notar os sinais que demonstra, cuidar bem do ambiente em que ele dorme e passar a estipular um ritual antes de dormir. Isso pode ser simples, como um banho, uma troca de roupa ou a leitura de uma história”, orienta Marcia Horbacio, consultora do sono há 12 anos, que atualmente mora no Canadá e atende também à distância, elaborando planos personalizados para cada família. Confira cinco dicas que você pode adotar para garantir um sono de qualidade para o seu filho e conquistar noites mais tranquilas.

1. Evite colocar o bebê sempre adormecido no berço

Alguns pais tentam colocar o bebê sonolento e acordado, porém, quando não conseguem, desistem e acham que ‘para o filho deles isso não funcionará’. No entanto, deveriam persistir e seguir tentando sempre que o bebê estiver calmo. Continue insistindo até que um dia dará certo.

2. Mantenha consistência no método escolhido

Um erro comum é experimentar diversas técnicas diferentes. Ainda que o bebê mude de comportamento, sustente o mesmo ritual de resposta. A chave para corrigir qualquer mudança de comportamento é a consistência.

3. Tenha em mente que não há receita perfeita para todos

“Para determinar o que fazer é preciso avaliar como está a duração de sono, as janelas de tempo acordado, os rituais realizados, as rotinas e o ambiente de sono e pré-sono”, diz Marcia. “Se tudo está certo e o pediatra se considera satisfeito com a saúde do bebê, incluindo a sua alimentação, o seu peso etc., poderemos propor um método para educar o sono.” A medida que o tempo passa, a criança se acostuma a dormir de uma determinada forma que ela aprendeu. Isso talvez possa dificultar um pouco mais o processo de educar o sono, porém não é regra.

4. Estabeleça horários regulares para o sono, não rígidos

“Analise sempre o intervalo de tempo que o bebê passa acordado. Não adianta colocar a criança para dormir todas as noites exatamente no mesmo horário inclusive em um dia em que ela não fez boas sonecas ou pulou a última soneca do dia. O horário de dormir deve ser ajustado para mais tarde quando a criança dormiu por mais tempo em sua última soneca ou mais cedo quando estiver muito cansada – e nem sempre ela demonstra isso, os pais têm de ficar atentos às janelas de sono”, recomenda Marcia.

5. Cuide bem do ambiente em que a criança dorme durante a noite

O ideal é que seja escuro – “que não se possa enxergar a mão em frente ao rosto”, indica Marcia – e a temperatura precisa ser fresca, já que o calor pode acordar a criança. O melhor é que tenha poucos brinquedos ou detalhes na decoração muito coloridos. E aposte em um colchão firme e, de preferência, opte por um lençol de algodão puro, bem apertado ao colchão. “Caso os pais gostem do recurso, o ruído branco pode ser de grande ajuda para bloquear barulhos externos”, aconselha a consultora.

Quer montar um quarto baseado no método montessoriano? Veja como

Os benefícios da música para bebês e crianças

O fortalecimento do vínculo afetivo é primeiro dos muitos efeitos positivos que a música proporciona para os bebês. “Pesquisas indicam que na vida intrauterina os bebês já têm percepções auditivas. Não exatamente identificando melodias, mas, sim, vibrações e noções dos sons, tanto internos, quando a mãe fala ou canta, por exemplo, quanto de ruídos externos”, diz Roberto Schkolnick, professor de musicalização de educação infantil e ensino fundamental e coordenador do projeto Cantando pelo Mundo – cantigas e brincadeiras, vinculado ao PEA (Programa das Escolas Associadas) da Unesco, organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura.

Música desde cedo

Os recém-nascidos têm a audição mais desenvolvida do que a visão. Isso colabora para que a fala dos pais, a intenção musical na forma de dizer as palavras e determinadas entonações de voz ajudem a tranquilizá-los em alguns momentos. “O reconhecimento de timbres, a voz dos pais, o barulho de diferentes objetos etc. vão ampliando o reconhecimento de ruídos que o bebê é capaz de notar e isso faz com que ele consiga ir percebendo melhor o mundo à sua volta por meio dos sons”, explica Schkolnick.

O ato de cantar é muito importante na construção dos vínculos afetivos de pais e cuidadores com o bebê e deixa marcas de aquisições musicais e culturais. Mais para a frente, contribuirá inclusive para o repertório e a variedade de vocabulário da criança. “Brincadeiras que utilizam música e acompanham o ritmo da melodia, como cantarolar ‘serra, serra, serrador…’ e fazer movimentos que sigam a canção, proporcionam ainda benefícios para a coordenação e desenvolvimento motor do bebê”, relata o especialista.

Ele sugere também experimentar criar em casa alguns objetos sonoros para estimular a curiosidade e s sentidos do bebê. “Construa chocalhos, colocando em um pote, por exemplo, grãos de arroz, em outro, feijões ou areia. Brinque com o seu filho e deixe que ele sinta as diferentes vibrações, ouça os sons produzidos… Essa exploração é uma brincadeira gostosa de fazer e insere a criança na ação. Ela passa para a prática e não apenas recebe e ouve os barulhos.”

Varie o repertório

Ao colocar músicas para que seu filho escute, não se preocupe em ficar restrito às canções do universo infantil, apresente a ele um repertório diversificado. Isso é um bom desafio até mesmo para as famílias que não têm o hábito de desvendar novos ritmos. “Principalmente nessa fase do início da vida, em especial a mãe e o bebê estão muito abertos para um aprendizado mútuo de mundo. Novas descobertas acontecem de forma constante e é uma ótima oportunidade de ouvir estilos musicais que não se estava acostumado até então”, observa Schkolnick.

Controle a ansiedade e observe as reações do bebê

Procure dosar os sons aos quais o bebê é exposto e não exagere na quantidade de estímulos simultâneos ou consecutivos. Cuidado particularmente com aparelhos tecnológicos e brinquedos sonoros que possuem muitos botões de sons. “E não crie uma expectativa excessiva. A criança pode não permanecer parada e prestando atenção. Mas isso não significa que não absorveu o que foi mostrado”, alerta o educador. “Observe seu filho e tente reconhecer as identificações dele. Os bebês e as crianças vão dando pistas do que preferem. Fique atento aos sinais.”

Ler e contar histórias para bebês e crianças também é muito importante. Quanto antes começar, melhor!

Quarto montessoriano: mais autonomia para os pequenos

Um ambiente clean, com objetos e acessórios colocados na altura do olhar das crianças e móveis que permitem ir e vir livremente com segurança. Essas são premissas de um ambiente guiado pelas propostas do método montessoriano. “O quarto é planejado orientado pelo ponto de vista da criança, para que tudo esteja ao seu alcance e ela possa descobrir as coisas sozinha, no seu tempo. É importante que a criança sinta que aquele ambiente foi preparado para ela”, explica Andrea Chapira Eshkenazy, arquiteta da Uêbaa Design.

Cama montessoriana no lugar do berço

O método pode ser adotado desde que os primeiros dias do bebê. Nesse caso, nada de berço. O recém-nascido dorme em uma cama sem pés ou em um colchão colocado diretamente no chão. Assim, quando começar a se mover e engatinhar, ele terá livre acesso ao local de dormir. “O objetivo é dar autonomia aos pequenos e o ideal é que a cama não tenha grades, já que o bebê pode se apoiar nelas para ficar em pé e acabar caindo. O mais indicado é adotar apenas rolos como proteção lateral”, orienta Andrea.

Reduza a quantidade de objetos

Como o intuito é não sobrecarregar as crianças com excesso de estímulos, até mesmo a quantidade de brinquedos deve ser dosada. Recomenda-se deixar cerca de seis brinquedos ou jogos em móveis baixos, à disposição da criança, e guardar os outros. “De tempos em tempos, faça um ‘rodízio de brinquedos’, revezando os que ficarão expostos”, sugere a arquiteta.

Tudo ao alcance da criança – sempre com segurança

Ao aderir a esse conceito, opte por móveis e cestos que facilitem o acesso das crianças aos objetos que preenchem o quarto. Boas alternativas são as prateleiras baixas, como as comumente usadas para acomodar livros, e as barras fixadas nas paredes para servir como apoio e facilitar os primeiros passos do bebê.

Outro item bem-vindo nessa proposta é um espelho apoiado no chão. “Com ele, a criança pode começar a se observar, se conhecer. O melhor é que seja um espelho de acrílico para não oferecer riscos. Se o seu bebê ainda não começou a andar, posicione o espelho na horizontal, para que ele consiga se observar melhor. Depois, mude-o para a posição vertical para que a criança se enxergue por inteiro”, aconselha Andrea.

Por fim – e isso vale para qualquer estilo de quarto – seja cuidadoso com a escolha dos móveis. Prefira peças com cantos arredondados e certifique-se de que não são instáveis e possam tomar. Para garantir mais conforto para as brincadeiras no chão, invista em um tapete ou placas de EVA. Mas não se esqueça de verificar os componentes e garantir que não há substâncias tóxicas na composição. Afinal, o seu bebê irá engatinhar, se apoiar para brincar e, depois, muito provavelmente pode levar as mãos à boca.

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Por que é recomendado ler para as crianças

A audição é um dos principais sentidos para o recém-nascido. A melodia da fala, principalmente da voz da mãe, tem o poder de reter a atenção e até mesmo acalmar e confortar os bebês. Esse é um dos motivos que leva começar a ler para o seu filho desde cedo ser tão benéfico.

O hábito ajuda a fortalecer o vínculo afetivo e contribui para que os pequenos aprendam como se dá a comunicação, a narrativa e as relações de causa e consequência, por exemplo. “O contato dos bebês com o mundo se faz com a mediação de um adulto. E as histórias são uma forma de construir essa mediação”, diz Ana Luísa Lacombe, atriz e escritora, que se dedica à arte de contar histórias há 15 anos e mescla o trabalho de narração com suas experiências no teatro.

Ela ressalta que livros ilustrados são muito estimulantes. “As figuras podem ser exploradas e os adultos podem ‘ler’​ as imagens. Ao contar uma história, tente também gestos e brincadeiras com as mãos (dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos…), incentivando a criança a entrar em contato com o seu corpo”, recomenda. Outro recurso é o uso de bonecos ou brinquedos, desde que quem esteja fazendo isso se sinta bem e consiga gerenciar essa manipulação com a narrativa. “Muitas vezes só a palavra e as brincadeiras com sons que conseguimos fazer com a boca e o corpo são suficientes. O bebê adora brincar com os sons da boca. Provocá-lo a explorar isso pode ser bem legal”, orienta Ana Luísa.

Ainda que seu bebê não permaneça quieto, é interessante investir nas histórias

Os bebês aprendem muito por meio do próprio corpo. Quando eles começam a engatinhar e andar realmente não é possível mantê-los imóveis, prestando atenção em uma história. “Mas o fato de estarem em movimento não significa que não estejam se relacionando com a narrativa.​ Temos que deixá-los explorar. É o trabalho deles nessa fase. São cientistas realizando experiências e conhecendo o mundo que os cerca. É importante entender isso e fazer com que a história esteja integrada a esse movimento”, avalia a atriz e escritora.

Aposte em contos curtos e não se esqueça de que o ritmo de contar uma história deve ser sempre mais lento do que a fala coloquial. É necessário respeitar o processo da construção mental daquilo que é dito – e isso vale para bebês, crianças ou adultos. “A cada etapa a criança se apropria de coisas diferentes. A entrada no mundo simbólico ocorre por volta dos três ou quatro anos. Nesse momento, o faz de conta ganha sentido e, por isso, é a fase em que os contos de fadas e o mundo maravilhoso passam a fervilhar no imaginário.​ A partir dessa idade, elas conseguem dedicar um tempo maior de atenção e experimentam dramatizar o que ouvem ou imaginam”, explica Ana Luísa.

Crie uma rotina

Estabelecer uma rotina é bom para as crianças, já que colabora para que se sintam seguras e organizem melhor suas demandas. Então, uma boa pedida é incluir o costume de ler antes de dormir. São instantes de total atenção e que representam um período que se dará uma separação entre a criança e os pais. Essa separação pode ser conduzida por meio de uma história.

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