Como escolher bons livros para crianças

Para despertar o interesse pela leitura nas crianças, é importante que os livros estejam inseridos nos hábitos da casa. “É essencial criar uma biblioteca da família e construir a sua rotina de leitura. Sem idealizações e cobranças. As crianças precisam ter acesso a bons livros. Eles devem ficar disponíveis. E os pais também devem encontrar um tempo para essa entrega, para esse momento de conexão com os pequenos. Este ‘triângulo amoroso’ – pais presentes e disponíveis, crianças e bons livros – é um ingrediente infalível para formação de um leitor”, acredita Denise Guilherme Viotto, mestre em educação e idealizadora e diretora da Taba, empresa especializada em curadoria de livros infantis e juvenis.

“O que os pais têm de fazer é associar o momento de contato com os livros à experiência de atenção e disponibilidade para os filhos. Não precisa ser necessariamente na hora de dormir e nem todo dia. Cada família pode encontrar seu tempo e seu modo”, completa. “Desde a gestação, os bebês devem receber um banho de linguagem. Este banho acontece primeiro no contato com os pais – que são os primeiros livros a serem lidos. As cantigas de embalar, os diálogos travados durante as trocas, as histórias contadas. Tudo isso é amor feito em palavras. O que os livros fazem depois é dar ainda mais recursos para essa relação de amor e cuidado construída a partir da linguagem falada e escrita”, diz a especialista. A seguir, ela cita alguns critérios importantes a serem considerados ao escolher livros para bebês e crianças.

1. Leia

Você só aprende a escolher quando possui repertório.

2. Saiba que bons livros para crianças, geralmente, encantam também os adultos

“O contrário nem sempre acontece. Mas, para escolher livros para bebês e crianças pequenas, os pais precisam ler e gostar do livro. Se acharem ‘bobinho e sem sentido’, acreditem: a criança também o achará”, diz Denise. Siga sua intuição: se você achou o livro simples demais e não lhe atraiu, escolha outro.

“Crianças pequenas e bebês são seres altamente inteligentes, capazes e curiosos sobre a linguagem e sobre o mundo. É um equívoco pensar que os livros para eles devem ser simples e com linguagem pobre. Embora não entendam todo o conteúdo do texto – algumas vezes – o fundamental é que tenham contato com vocabulário rico, interessante e que os ajudem a construir a sua ‘casa imaginária’. A sua casa de palavras, onde, aos poucos, vão aprendendo a nomear as coisas, os sentimentos e, principalmente, a se narrar.” Vale também ter em mente que, de um modo geral, as crianças são atraídas por textos que apresentem uma estrutura de repetição, acumulação e brinquem com a linguagem, como poemas e cantigas. Isso porque esta estrutura previsível facilita a memorização e faz com que eles participem mais ativamente da experiência.

3. Faça da busca uma diversão

Provavelmente, você vai descobrir muitos livros interessantes e aproveitar bastante a leitura deles.

4. Pesquise as indicações de especialistas

“Muitas das listas divulgadas por revistas e outros meios nem sempre deixam claro como selecionaram aquelas obras. Atualmente, empresas de curadoria – como A Taba – e de crítica literária, como a Revista Emília, fazem um trabalho independente e altamente qualificado. Os sites de ambas sempre têm recomendações interessantes”, indica Denise.

5. Fuja dos livros que são subprodutos de desenhos e filmes

“E esqueça os títulos que tentam transmitir uma mensagem explicitamente ou ensinar bons comportamentos. Eles, muitas vezes, subestimam a inteligência do leitor”, aconselha Denise. “Literatura é arte, fruição e não um instrumento de educação moral.”

6. Não se guie necessariamente pela classificação por faixa etária

“Este é um recurso do mercado para ‘facilitar’ a escolha dos livros. Mas ela mais atrapalha do que ajuda, porque generaliza e transforma um conceito tão plural – que é o de criança – em uma coisa única. Não existe criança. Existem crianças. A minha pode ser igual ou diferente da sua, mesmo tendo a mesma idade”, defende Denise. “Além disso, sempre me questiono: o que determina que um livro é para criança de dois anos e não de três? Nós, que estamos há mais de 20 anos estudando o tema, sabemos que o que ajuda a definir um perfil de leitor é mais a sua competência do que a sua idade. Para escolher e definir se aquele livro é ou não indicado para uma criança, é preciso conhecer essa criança: seus gostos, seu repertório, sua competência para ler etc.”

7. Diversifique temas, formatos, autores, ilustradores…

Para formar um leitor, diversidade é fundamental. Quanto maior o acesso a essa variedade, maior o repertório e também mais fácil identificar os gostos dos pequenos. Ao oferecer sempre obras de uma mesma editora, de um mesmo autor ou estilo, você restringe o universo estético e cultural da criança.

8. Fique atento aos interesses da criança

“O papel do adulto como mediador é o de observar os gostos das crianças, verificar os livros que elas apreciam mais, quais pedem para ler e reler, como se relacionam com eles, que associações fazem. Para isso, é preciso participar do momento da escolha e da leitura observando essas conquistas. Mas, sem pressão. Sem precisar analisar toda e qualquer resposta nem achar que isso deve determinar sempre qual será o livro adquirido”, orienta Denise.

9. Permita que a criança faça escolhas

Para formar um leitor, é necessário permitir que ele também decida sobre as suas opções. Mesmo que, na sua opinião, elas não sejam as melhores.

10. Saiba dosar o seu papel de mediador na seleção dos livros e a autonomia dos pequenos leitores

“O que a criança gosta pode ser uma pista, porém não deve ser um limitador. Assim como comida, é preciso oferecer aquilo que se aprecia, mas também ofertar novos sabores, para que a criança possa descobrir outros horizontes”, conclui Denise.

E você costuma ler para o seu filho? Entenda por que é importante criar esse hábito desde cedo!

Por que é recomendado ler para as crianças

A audição é um dos principais sentidos para o recém-nascido. A melodia da fala, principalmente da voz da mãe, tem o poder de reter a atenção e até mesmo acalmar e confortar os bebês. Esse é um dos motivos que leva começar a ler para o seu filho desde cedo ser tão benéfico.

O hábito ajuda a fortalecer o vínculo afetivo e contribui para que os pequenos aprendam como se dá a comunicação, a narrativa e as relações de causa e consequência, por exemplo. “O contato dos bebês com o mundo se faz com a mediação de um adulto. E as histórias são uma forma de construir essa mediação”, diz Ana Luísa Lacombe, atriz e escritora, que se dedica à arte de contar histórias há 15 anos e mescla o trabalho de narração com suas experiências no teatro.

Ela ressalta que livros ilustrados são muito estimulantes. “As figuras podem ser exploradas e os adultos podem ‘ler’​ as imagens. Ao contar uma história, tente também gestos e brincadeiras com as mãos (dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos…), incentivando a criança a entrar em contato com o seu corpo”, recomenda. Outro recurso é o uso de bonecos ou brinquedos, desde que quem esteja fazendo isso se sinta bem e consiga gerenciar essa manipulação com a narrativa. “Muitas vezes só a palavra e as brincadeiras com sons que conseguimos fazer com a boca e o corpo são suficientes. O bebê adora brincar com os sons da boca. Provocá-lo a explorar isso pode ser bem legal”, orienta Ana Luísa.

Ainda que seu bebê não permaneça quieto, é interessante investir nas histórias

Os bebês aprendem muito por meio do próprio corpo. Quando eles começam a engatinhar e andar realmente não é possível mantê-los imóveis, prestando atenção em uma história. “Mas o fato de estarem em movimento não significa que não estejam se relacionando com a narrativa.​ Temos que deixá-los explorar. É o trabalho deles nessa fase. São cientistas realizando experiências e conhecendo o mundo que os cerca. É importante entender isso e fazer com que a história esteja integrada a esse movimento”, avalia a atriz e escritora.

Aposte em contos curtos e não se esqueça de que o ritmo de contar uma história deve ser sempre mais lento do que a fala coloquial. É necessário respeitar o processo da construção mental daquilo que é dito – e isso vale para bebês, crianças ou adultos. “A cada etapa a criança se apropria de coisas diferentes. A entrada no mundo simbólico ocorre por volta dos três ou quatro anos. Nesse momento, o faz de conta ganha sentido e, por isso, é a fase em que os contos de fadas e o mundo maravilhoso passam a fervilhar no imaginário.​ A partir dessa idade, elas conseguem dedicar um tempo maior de atenção e experimentam dramatizar o que ouvem ou imaginam”, explica Ana Luísa.

Crie uma rotina

Estabelecer uma rotina é bom para as crianças, já que colabora para que se sintam seguras e organizem melhor suas demandas. Então, uma boa pedida é incluir o costume de ler antes de dormir. São instantes de total atenção e que representam um período que se dará uma separação entre a criança e os pais. Essa separação pode ser conduzida por meio de uma história.

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